quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Depois vem a tatuagem

A polícia da República Tcheca está retirando migrantes de trens com destino à Alemanha e marcando-os com tinta permanente nos braços e pulsos. Qualquer semelhança com a prática nazista de tatuar os destinados aos campos de concentração não é mera coincidência. Tais migrantes também vão para campos de concentração, não importa que nome deem às instalações onde são isolados, destino dos indesejáveis de sempre. O governo tcheco já convocou uma reunião de emergência com os países vizinhos para examinar o problema. Entre ele está a Hungria, que no momento dedica-se a construir uma cerca de arame farpado nos 170 km de sua fronteira com a Sérvia, para manter os indesejáveis do lado de fora.

Na Inglaterra, o bem nutrido Cameron também convocou reuniões de emergência, com Alemanha e França. E declarou em alto e bom som que o Reino Unido não pode mais receber migrantes, que chegam como "um enxame de insetos". Que outras humanitárias metáforas surgirão da mente do bondoso primeiro-ministro, quando ele vir a foto publicada hoje pelo The Independent, de um corpo de criança dando à praia na Turquia: cardume, infestação? O pequeno cadáver é de um refugiado (e não migrante, como ainda insistem em dizer) sírio, vítima de um naufrágio durante a fuga do horror da guerra. Guerra esta que as potências ocidentais fazem tudo para incentivar.

Como contribuição para a paz (?) na Síria, os Estados Unidos começaram um programa "secreto" de bombardeios com drones (foto), para atingir infiltrados do Estado Islâmico. Claro, para cada "infiltrado" que eles atingem, morrem centenas de civis inocentes. Não admira que os sírios prefiram enfrentar a incerteza de uma fuga pelo mar a permanecer em seu país. Ao mesmo tempo, os EUA fazem um tratado de cooperação com a Turquia, que no momento se dedica exclusivamente a bombardear os curdos, os únicos que até agora lutaram bravamente, em terra, contra os militantes do Estado Islâmico que invadem a Síria. Claro, os EUA não querem desagradar seus poderosos aliados, Turquia e Arábia saudita, os principais instigadores e fornecedores de armas da luta na Síria. Os sírios que aguentem.

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