quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Só pode ser coisa dos reptilianos

 

Todo mundo está farto de conhecer a história da transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, feita por Orson Welles em 1938, que causou pânico em Nova York. Afinal, foi em 1938...

Agora, novo século, novo milênio, em pleno ano pandêmico de 2021, o Departamento de Segurança Pública do Texas (aquele Estado que notabilizou massacres com serra elétrica, embora fosse melhor dizer motosserra, sem que isso faça muita diferença para os fatiados), emitiu uma alerta de emergência sobre Chucky, o boneco assassino.

A mensagem acionou um Amber Alert, sistema utilizado para ajudar a recuperação de crianças desaparecidas, que, presumia-se, era coisa séria. Pelo visto eles levam muito a sério a série de TV Child's Play, onde Chucky pontificou como boneco homicida possuído pelo espírito de um assassino serial.

Depois do estrago, as autoridades tentaram consertar, dizendo que foi um teste que deu errado. Eu acho que foram os reptilianos, aquela raça a que pertence o Obama. Pé-Grande não foi, o ecossistema do Texas lhe é inóspito. Mas não podemos descartar o Chupa-Cabra, afinal é coisa de hispânico, praga que, mesmo com o glorioso muro do Trump, infesta o glorioso Estado da Estrela Solitária (POR FAVOR, nada a ver com o Botafogo, que por acaso também é Glorioso!).

sábado, 4 de abril de 2020

Nosso futuro?

Neste momento em que as chamadas igrejas evangélicas (também conhecidas como igrejas caça-níqueis, teologia do templo é dinheiro ou Super Igrejas de Cristo S. A.) atingem o ápice de visibilidade em nosso país, cabe acalentar uma esperança: chegaremos à perfeição do Cinturão da Bíblia?

Cinturão da Bíblia (em português coxinha, Bible Belt) é aquela porção dos Estados Unidos da América que é dominada por um protestantismo (?) fanático, fundamentalista, profundamente intolerante. Ela inclui Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Kansas, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Missouri, Oklahoma, Tennessee, Texas, Virgínia e, last but not least, Virgínia Ocidental. Mas, Aleluia!: em todos os outros gloriosos estados há bolsões florescentes da mesma mentalidade.

Como os EUA são o país das estatísticas, uma consulta aos números de suas instituições públicas revela que o Cinturão da Bíblia é também o cinturão do maior índice de homicídios e de criminalidade em geral, dos maiores índices de pobreza, dos maiores índices de mortalidade infantil, dos maiores índices de gravidez adolescente, do menores índices de expectativa de vida, dos maiores índices de fumantes, dos maiores índices de obesidade, dos maiores índices de divórcios e (pasmem!) dos maiores índices de pornografia gay. Ora, não sejamos intolerantes, os gays de lá, necessariamente enrustidos (você sabe, God hates fags) precisam de uma maneira de aplacar os desejos de seus corpos balofos e branquicentos.

Ah, já ia esquecendo. Os estados americanos acima foram citados em ordem alfabética, como de praxe. Isto não seria necessário no Cinturão da Bíblia, lá é também o cinturão dos maiores índices de analfabetismo.


segunda-feira, 30 de março de 2020

Ah, esses austríacos

O austríaco Helmut Marko, chefão da equipe Red Bull de Fórmula 1, resolveu emular seu mais famoso compatriota do século XX, o austríaco Adolf Hitler, e teve uma brilhante ideia: sugeriu que os pilotos Max Verstappen e Alexander Albon fizessem de tudo para contrair o corona vírus.

O brilhante plano é o seguinte: como a Fórmula 1 atravessa um intervalo forçado, com vários grandes-prêmios cancelados por conta da pandemia, se os pilotos se contaminarem agora, sendo jovens e saudáveis, estarão tinindo quando as corridas recomeçarem. Plano que seria estendido aos pilotos Pierre Gasly e Daniil Kvyat, da equipe subsidiária Alpha Tauri.

Louvemos a visão pró-ativa desses sábios empresários do Primeiro Mundo. Não apenas sabem como botar nas pistas aquelas lépidas geringonças como ainda apresentam soluções médicas dignas de um prêmio Nobel. No mínimo um prêmio Josef Mengele de criatividade terapêutica. E se o Fuehrer não puder fazer a entrega, por razões óbvias, não há problema algum, chamem o Bozo.

sexta-feira, 27 de março de 2020

A segurança da saúde pública

Os Estados Unidos da América acabam de assumir a liderança mundial - mais uma! - do número de infectados pela Covid 19, essa insidiosa gripezinha que vem causando alguns transtornos (ora, o que são 6 ou 7 mil mortes?) nos países do Primeiro Mundo cujos líderes, por serem também de Primeiro Mundo, identificaram-na como apenas uma gripezinha: Itália, Espanha, Reino Unido, etc.

Mas nos EUA, claro, a coisa é diferente, seu sistema de saúde (?) é de Primeiríssimo Mundo. Basta você ter um Seguro Saúde. Seguro é segurança. Bem, a recíproca é verdadeira...

Um adolescente de 17 anos de Lancaster, Califórnia, que na véspera estava vendendo saúde, procurou o posto de atendimento médico local com os sintomas da gripe. O atendimento foi recusado, pois ele não tinha seguro saúde. O garoto morreu no mesmo dia. Ora, primeiro, como ele foi pegar essa doença que, segundo os sábios neoliberais, é coisa de velho? Depois, como, na terra do pragmatismo, ele foi cobrar segurança quando não tinha seguro?

No mesmo dia a mesma coisa aconteceu na Luisiana, um adolescente insegurado morreu na porta do hospital. Ora, quantos mais desses jovens inconsequentes existirão entre os (por enquanto) 86.012 contaminados pela Covid-19 nos EUA? Garanto que o Boris Johnson (um dos 14.751 contaminados do Reino Unido) tem seguro!

segunda-feira, 9 de março de 2020

Para comemorar o Dia da Mulher

Todo ano, quando chega o Dia Internacional da Mulher, lembramos de que a data foi escolhida a partir de um massacre ocorrido nos EUA, em que um empresário incendiou a própria fábrica para matar as funcionárias que realizavam uma paralização. Este ano, uma notícia veiculada na data simbólica parece querer assinalar o dia de forma condizente com sua origem.

Em Fulton, Georgia, EUA, uma adolescente de 14 anos com problemas mentais foi seguidamente abusada e estuprada por cinco dias consecutivos num ônibus escolar do condado, sem que o motorista interviesse ou sequer "notasse". O problema só veio à tona quando a adolescente, no último desses dias, deixou o ônibus quase nua, com as roupas rasgadas e sinais evidentes de violência. Aí o motorista informou que "achava que tinha acontecido alguma coisa" no ônibus.

O ônibus, que é destinado a crianças com necessidades especiais, tinha um monitor, mas o condado achou desnecessário mantê-lo. Mesmo sendo um veículo com poucas fileiras de banco, o motorista não "viu" ou "ouviu" nada. Incrível o progresso nos EUA, lá pessoas cegas e surdas já podem dirigir ônibus escolares. Sem falar que nossos bolsominions vão morrer de inveja: afinal, estupro, para seu líder messiânico, é uma saborosa piada. Se for de uma criança é mais engraçada ainda...

Baseados em casos semelhantes nos EUA, podemos prever que alguns meninos com deficiência mental serão condenados a uma longa pena de prisão, o motorista será inocentado de tudo e o conselho escolar de Fulton (aquele que dispensou o monitor) será reeleito.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Parque de diversões?

Um menino de apenas 10 anos, Caleb Schwab, morreu decapitado ao descer em um escorrega aquático gigante num parque de diversões de Kansas, EUA. A notícia, já em si horrorosa, torna-se ainda pior quando vemos que tal ocorreu num país que tem a pretensão de ditar regras sobre tudo e mais alguma coisa para o resto do mundo... e impô-las à força. Que se acautelem os que sonham com a Disneylândia e quejandos...


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

É preciso o gás para poder rir

A Austrália costuma frequentar os primeiros lugares nos índices de desenvolvimento humano; também costuma endossar sem qualquer exame as políticas intervencionistas dos Estados Unidos. Agora, ao que parece, pretende seguir o grande irmão do norte também no que diz respeito à saúde pública e aos direitos humanos.

Num hospital da trepidante Sydney, um bebê morreu quando lhe ministraram gás hilariante, em vez de oxigênio, durante um atendimento de emergência. A mãe do bebê, apesar do gás envolvido, não achou graça alguma; ninguém poderia achar. Outro bebê teve sérios danos cerebrais, pelo mesmo motivo. O hospital afirma que os erros decorreram depois de modificações feitas no fornecimento de gases pelo novo governo liberal. E lamentou muito, assim como lamentou muito a ministra do novo governo. Os bebês, claro, não podem lamentar: um  morreu, o outro teve o cérebro destruído.

Por outro lado, a polícia dos Territórios do Norte é extremamente cuidadosa com as crianças: no centro de detenção juvenil, eles encapuzam e amarram os adolescentes, para que eles não façam artes. Na foto,  um adolescente de 14 anos, devidamente manietado.  Foi tirada de um vídeo que mostra toda a cena; um outro vídeo, mostra o mesmo menino sendo despido à força e mantido de cara contra o chão, devidamente imobilizado.

Ainda bem que temos os EUA para mostrar ao mundo a maneira certa de fazer as coisas, a Austrália já aprendeu.