terça-feira, 22 de setembro de 2015

A evidente superioridade da indústria alemã

O sonho de todos os nossos deslumbrados, sejam ricos ou apenas metidos a, é ter um CARRO ALEMÃO! Nada pode ser mais perfeito, mais avançado, mais honesto... Bem, quanto ao último predicado, parece que não é bem assim.

Nossa mídia nativa está tão ocupada em malhar a Dilma e tentar destruir o Lula que não deu muita importância à notícia que está nas manchetes dos mais importantes jornais do mundo: a enorme mutreta tecnológica da Volkswagen, que estourou nos Estados Unidos. A empresa dotou os carros de um programa de computador que identifica se o veículo está sendo submetido a um teste de poluição ou andando normalmente. No caso de um teste, a regulagem vira santa e produz níveis baixos de poluição. Caso o carro esteja andando normalmente, a regulagem volta a ser como é e a poluição corre solta.

Desta forma, a Volkswagen vendeu centenas de milhares de carros nos EUA em desacordo com as normas da EPA, a agência de proteção ambiental de lá. Provavelmente no resto do mundo também, mas foi nos EUA que o escândalo veio à tona. Já se fala em multa de bilhões de dólares. As ações da empresa desabaram nas bolsas de valores. Seu presidente, depois de um contrito pedido de desculpas (merecedor de um Óscar), avisou que fará uma severíssima investigação e não sobrará pedra sobre pedra.

Certo, afinal a Alemanha é Primeiríssimo Mundo. Mas o jornal inglês Independent lembra que não é a primeira vez que a Volkswagen é surpreendida mentindo. Em agosto, pesquisadores universitários  alemães descobriram que um sistema de segurança contra furtos fabricado pela empresa e usado por ela e mais 26 outras (incluindo Porsche, Ferrari, Maserati, Audi e outras menos idolatradas) era falho e facilmente desarmado pelos ladrões. Que fez a fábrica? Entrou na Justiça, proibindo a publicação da pesquisa. Foi preciso chegar à Corte Suprema para que a publicação saísse.

E eu que gostava tanto do meu velho Fusquinha - um carrinho honesto que nunca fingiu ser o que não era. Mas não param por aí as desventuras da conceituada empresa alemã. Aqui no Brasil, informa a revista Carta Capital, a Comissão Nacional da Verdade e diversos sindicatos apresentarão ao Ministério Público Federal uma denúncia de violação dos direitos humanos, praticada pela empresa em sua fábrica de São Bernardo do Campo, durante a ditadura militar. Parece que por lá prevaleciam as ideias do sujeito que encomendou o primeiro Volkswagen, um austríaco chamado Adolfo. Eu, claro, não acredito.

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