A grande distância que separa o Brasil do Primeiro Mundo desenvolvido, civilizado e democrático.
sábado, 31 de outubro de 2015
A gravidade é a mesma
A lei ser igual para todos é uma ficção em todos os lugares. A menos, claro, que se trate de uma lei da física. Sabíamos que andar de metrô em Londres é um perigo, pois a polícia pode confundi-lo com um terrorista e mandá-lo para ainda mais debaixo da terra. Mas ameaças vindas de cima não eram comuns. Agora temos de nos preocupar também com a gravidade. Um pedestre, passando em frente a um hotel de luxo, o W, em Wardour Street, foi atingido por um sofá que caiu lá de cima. O coitado foi levado a um hospital, onde permanece em estado grave, porém "estável". O porta-voz do hotel desconversou. A polícia diz que investigará. Os turistas que se cuidem.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
É isso aí, cachorrinho
Um cachorro da raça labrador chamado Gatilho (Trigger, foto acima), acionou acidentalmente o gatilho de uma espingarda calibre 12 destravada, pertencente a sua dona, durante uma caçada a aves aquáticas em Indiana, EUA. O tiro atingiu Allie Carter, a descuidada dona do cachorro e da arma, no pé e ela foi atendida num hospital local e depois liberada. Pela primeira vez um "acidente" com armas nos EUA fere o culpado, não algum indefeso inocente. Parabéns, Gatilho!
Tudo que seu mestre mandar (ou fizer)
Seguindo o exemplo dos Estados Unidos, que bombardearam um hospital dos Médicos Sem Fronteira no Afeganistão, matando 22 pessoas, inclusive três crianças, a Arábia Saudita bombardeou ontem um hospital dos mesmos Médicos Sem Fronteiras em Heedan, no Yemen. Isto apesar de os médicos terem fornecido à "Coalizão" atacante (Arábia Saudita e outras monarquias ditatoriais e medievais da região, armadas pelos EUA e Inglaterra) as coordenadas do hospital, como ocorreu também no Afeganistão. Não é a primeira vez que a Arábia Saudita atinge alvos civis no Yemen, causando morte e destruição. O ataque foi à noite e, por sorte, não havia cirurgias sendo realizadas no momento em que as salas de operação foram totalmente destruídas. O povo local ficou sem sua única opção de socorro médico.
Psicologia escolar
Adolescentes de todos os sexos podem ser extremamente irritantes, mas os métodos usados pela polícia do condado de Richland (Carolina do Sul, EUA) para lidar com eles são, no mínimo, pouco ortodoxos. Dois vídeos colocados na Internet mostram um policial branco entrar numa sala de aula da Spring Valley High School e segurar uma adolescente negra pelo pescoço, com uma "gravata". Ele a derruba no chão, virando também a carteira, e a arrasta para fora da sala, sob o olhar amedrontado dos colegas e a indiferença do outro adulto presente (professor?). Depois que aconteceu a repercussão, o xerife local e a direção da escola disseram-se muito preocupados e o valente oficial foi posto em "licença administrativa". Agora é só esperar a onda passar e fica tudo na mesma.
domingo, 18 de outubro de 2015
A contagem continua...
Agora foi em Chicago. Um menino de 6 anos matou o irmão, de 3 anos, enquanto brincavam de "polícia e ladrão" usando a arma do pai. Uma pesquisa do Washington Post, publicada este mês, revela que, somente este ano, houve 43 incidentes de pessoas sendo atingidas por tiros disparados por crianças de 3 anos ou menos, nos EUA, e que em 31 casos a própria criança foi a vítima. Entre esses casos, dois foram fatais. A pesquisa foi motivada pela notícia de uma criança de 2 anos que, andando no carro da família, achou uma arma no banco traseiro e deu um tiro na avó, no banco dianteiro. Isso ocorreu na Carolina do Sul, mas o jornal detalha outros casos.
Apesar dessas tragédias, a poderosa National Rifle Association prega que o melhor a fazer é botar mais armas nas mãos de "pessoas responsáveis". Não sabemos bem o conceito de "responsabilidade" da NRA, mas a julgar pelas campanhas de propaganda destinadas a crianças, que ela faz em suas reuniões (foto acima), deve ser algo que as crianças de lá adquirem desde que nascem. Para perder logo depois, quando morrem atingidas pelas balas das armas de pessoas igualmente "responsáveis".
Apesar dessas tragédias, a poderosa National Rifle Association prega que o melhor a fazer é botar mais armas nas mãos de "pessoas responsáveis". Não sabemos bem o conceito de "responsabilidade" da NRA, mas a julgar pelas campanhas de propaganda destinadas a crianças, que ela faz em suas reuniões (foto acima), deve ser algo que as crianças de lá adquirem desde que nascem. Para perder logo depois, quando morrem atingidas pelas balas das armas de pessoas igualmente "responsáveis".
sábado, 17 de outubro de 2015
Aloha, bem-vindos à terra dos sem-teto
O governador David Ige, do estado do Havaí (Hawaii, para os surfistas) - terra de Barack Obama - acaba de decretar estado de emergência. A razão? De 2014 para 2015, a população de pessoas sem-teto do estado cresceu 23%, e o número de famílias nesta situação cresceu 46%. O Havaí tem a maior percentagem de sem-teto dos EUA. Isso é que é lugar paradisíaco. Resolve essa, Steve McGerrit.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Fatos da vida
Um em cada três americanos (ou 35% da população dos EUA) acha que as matanças coletivas (que esse ano já atingiram a cifra de 300) são um "fato da vida", uma fatalidade, por isso nada pode ou deve ser feito a respeito delas, aponta pesquisa feita pela YouGov. A vida deve andar muito errada na maioria dos outros países do mundo, uma vez que neles ninguém sai matando a torto e direito, em escolas, repartições, hospitais. Entre os que consideram a mortandade fato corriqueiro, predominam os eleitores republicanos (48% deles), o que não é de espantar, mas os democratas não ficam muito atrás (quase 20% deles), embora entre eles predominem os que acham que tais ocorrências podem ser detidas (60% deles). Bem, talvez isso explique por que os americanos se acham no direito de matar gente inocente pelo mundo inteiro.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
O que eles não contam
Enquanto nossos meios de comunicação trombeteiam dia e noite a catastrófica situação econômica (?) do Brasil, os países líderes do capitalismo preferem a realidade. No gráfico acima, publicado no jornal inglês The Independent, relacionando a escala dos países, no gráfico, com sua dívida pública frente ao PIB, vemos que, neste ponto, a economia do Brasil está melhor do que a dos EUA, do que a de toda a Europa ocidental, do que a do Japão e por aí vai. E lembremos que a dívida do Brasil é toda interna, ao contrário de muitos países metidos a primeiro mundo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
O bispo e o príncipe
Peter Ball, da igreja anglicana, ex-bispo de Lewes e Gloucester, admitiu culpa num processo por abuso sexual de dois rapazes de 17 anos. Quem pensa estar diante de um exemplo de justiça sendo aplicada a despeito da importância do réu, está enganado. Ball abusou de pelo menos 16 meninos, entre 1977 e 1992. Em 1993, quando o primeiro caso estourou, várias pessoas importantes intervieram para que fosse abafado, inclusive membros do parlamento e o ecológico príncipe Charles.
O bispo renunciou ao cargo e recebeu apenas uma advertência da justiça. Charles lhe forneceu moradia em uma residência do Ducado da Cornualha (Charles, muito apropriadamente, é duque da Cornualha). Com o tempo, novas denúncias foram feitas e ficou difícil segurar o problema, principalmente porque uma das vítimas, Neil Todd, se matou. Com o atual processo, o bispo se livra de responder por abusos cometidos contra dois meninos, de 13 e 15 anos, uma ofensa bem mais grave, e não será submetido a julgamento público, apenas receberá uma pena (os abusos contra os dois menores e outros 12 meninos, simplesmente, somem legalmente da história). Tudo é apenas mais uma armação. Que pena será cominada ao ardoroso bispo: conversar com Charles uma vez por semana?
O bispo renunciou ao cargo e recebeu apenas uma advertência da justiça. Charles lhe forneceu moradia em uma residência do Ducado da Cornualha (Charles, muito apropriadamente, é duque da Cornualha). Com o tempo, novas denúncias foram feitas e ficou difícil segurar o problema, principalmente porque uma das vítimas, Neil Todd, se matou. Com o atual processo, o bispo se livra de responder por abusos cometidos contra dois meninos, de 13 e 15 anos, uma ofensa bem mais grave, e não será submetido a julgamento público, apenas receberá uma pena (os abusos contra os dois menores e outros 12 meninos, simplesmente, somem legalmente da história). Tudo é apenas mais uma armação. Que pena será cominada ao ardoroso bispo: conversar com Charles uma vez por semana?
terça-feira, 6 de outubro de 2015
A contagem continua...
Em White Pine, Tennessee, Estados Unidos (onde mais poderia ser?), Maykayla Dyer, oito anos, não deixou que um garoto vizinho pegasse seus bonecos. O menino (11 anos) entrou em casa, pegou a espingarda calibre 12 do pai e atirou nela. Maykayla morreu. O menino está preso, sua vida está arruinada. Os pais dele, que deixam uma arma letal carregada ao alcance de uma criança, nada sofrerão. Para os americanos, como diria Bush III, é apenas mais um caso de shit happens. A segunda emenda constitucional (que libera a posse de armas) vale mais do que a vida de qualquer menininha.
Quanto ao jovem Christopher Harper-Mercer, que matou, semana passada, diversas pessoas numa escola do Oregon, a polícia decidiu que ele se suicidou. Foi divulgado um manuscrito que o assassino teria escrito, no qual ele reclama, entre outras coisas, de não ter uma namorada. Só podemos louvar a prudência das garotas de Oregon por esta sábia recusa. Pena que contra armas de fogo não há prudência que salve.
Quanto ao jovem Christopher Harper-Mercer, que matou, semana passada, diversas pessoas numa escola do Oregon, a polícia decidiu que ele se suicidou. Foi divulgado um manuscrito que o assassino teria escrito, no qual ele reclama, entre outras coisas, de não ter uma namorada. Só podemos louvar a prudência das garotas de Oregon por esta sábia recusa. Pena que contra armas de fogo não há prudência que salve.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Allons enfants...
Apesar dos François Hollande da vida, sempre se pode esperar alguma coisa de interessante dos franceses. Num protesto contra um corte de 2.900 postos de trabalhos, funcionários da Air France deram o tratamento merecido a dois mauricinhos chefes da companhia: Xavier Broseta, chefe de recursos humanos, teve a camisa arrancada e fugiu pulando uma alta cerca; o chefe dos voos de longo curso, Pierre Plissonnier, teve o terno reduzido a farrapos. Depois que os capangas, ditos seguranças, seguraram as coisas, os dois executivos voltaram a roncar grosso, ameaçando os empregados com processos criminais. Se todos os espezinhados pela insensibilidade dos covardes ricos e desonestos respondessem desta maneira, talvez as coisas melhorassem. Como diz uma certa cantiga, às armas, cidadãos!
Os bons exemplos geram bons frutos. Depois de ouvir, esta semana, uma série de absurdos insultuosos dos líderes conservadores, os ingleses promoveram um protesto diante da convenção do partido tory, cada vez mais um partido de riquinhos mimados e estragados. E vejam o que aconteceu: um jovem participante, impecavelmente vestido, foi premiado com um ovo. Que tristinho que ele ficou. Já é um começo para o habitualmente conformado povo inglês.
Os bons exemplos geram bons frutos. Depois de ouvir, esta semana, uma série de absurdos insultuosos dos líderes conservadores, os ingleses promoveram um protesto diante da convenção do partido tory, cada vez mais um partido de riquinhos mimados e estragados. E vejam o que aconteceu: um jovem participante, impecavelmente vestido, foi premiado com um ovo. Que tristinho que ele ficou. Já é um começo para o habitualmente conformado povo inglês.
sábado, 3 de outubro de 2015
Stuff (shit?) happens
Quando perguntaram a Jeb Bush, ex-governador da Flórida e candidato a candidato à presidência estadunidense pelos republicanos, sobre o massacre ocorrido em escola do Oregon, ele soltou o brilhante comentário: "Stuff happens" (algo como "coisas acontecem"). Frase que qualquer americano percebe como uma forma publicável do famoso "shit happens" (tradução desnecessária). A metáfora sugerida dá bem ideia do conteúdo craniano do terceiro Bush a pleitear a Casa Branca. Se, como os outros dois, ele chegar lá, aí sim, será mais um catastrófico caso de shit happens a castigar a humanidade.
Americanos bombardeiam Médicos sem Fronteiras
Logo após o primeiro ataque aéreo da Rússia contra alvos terroristas na Síria, os EUA reclamaram que foram atingidos "civis inocentes", que se revelaram, mais tarde, serem um grupo sunita extremista armado pela Arábia Saudita e treinado pela CIA. Já no Afeganistão, em Kunduz, não há dúvidas sobre os civis inocentes que foram bombardeados, ontem, pelos americanos: um hospital de campanha dos Médicos sem Fronteiras, entidade sabidamente apolítica e inofensiva. No ataque morreram pelo menos 16 pessoas, entre as quais 9 membros da organização e 3 pacientes crianças, e mais 37 ficaram feridas. Como não foi possível abafar o caso, os EUA já "pediram desculpas". Os 16 mortos não puderam recebê-las.
Nota acrescentada uma semana depois: Agora que os fatos chegam mais detalhados ao conhecimento do mundo, ficou claro que o bombardeio não foi um engano. Não foi um caso de uma bomba soltada por engano em meio a uma operação confusa. O hospital foi bombardeado sistematicamente durante uma hora, por aviões AC-130, que voam a baixa altitude e são dirigidos por humanos. Ou seja, os pilotos e os que deram as ordens sabiam muito bem o que estavam fazendo, inclusive porque o hospital fornecia periodicamente sua localização (em coordenadas de latitude-longitude, que não mudavam) aos americanos, exatamente para evitar qualquer engano. A causa da chacina, ao que parece, foi o hospital atender, sem discriminações, qualquer ferido que chegasse lá, mesmo aos talibãs. Ou seja, fazia aquilo que todo médico jura fazer quando profere o Juramento de Hipócrates. Mas para Washington, as leis internacionais que garantem atendimento médico a todos, em caso de guerra, não valem mais.
Nota acrescentada uma semana depois: Agora que os fatos chegam mais detalhados ao conhecimento do mundo, ficou claro que o bombardeio não foi um engano. Não foi um caso de uma bomba soltada por engano em meio a uma operação confusa. O hospital foi bombardeado sistematicamente durante uma hora, por aviões AC-130, que voam a baixa altitude e são dirigidos por humanos. Ou seja, os pilotos e os que deram as ordens sabiam muito bem o que estavam fazendo, inclusive porque o hospital fornecia periodicamente sua localização (em coordenadas de latitude-longitude, que não mudavam) aos americanos, exatamente para evitar qualquer engano. A causa da chacina, ao que parece, foi o hospital atender, sem discriminações, qualquer ferido que chegasse lá, mesmo aos talibãs. Ou seja, fazia aquilo que todo médico jura fazer quando profere o Juramento de Hipócrates. Mas para Washington, as leis internacionais que garantem atendimento médico a todos, em caso de guerra, não valem mais.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Faz parte do currículo
Tiroteios com resultados fatais já fazem parte do currículo das escolas dos Estados Unidos. A aula de hoje foi na cidade de Roseburg, estado do Oregon. Um homem de 20 anos abriu fogo na escola de Umpqua Community. Matou 13 pessoas e depois foi morto pela polícia (ou se matou, isto ainda não está claro). Pelo menos outras 20 pessoas estão feridas. Não se sabe ainda quem são os feridos e as vítimas fatais. O caso é chocante, mas dificilmente constitui surpresa ou novidade. Este ano já houve outros 44 tiroteios em escola nos EUA. Foram 142 nos últimos 3 anos. Escolas de primeiro-mundo, sempre inovando.
Este ano já houve 264 matanças com arma de fogo nos EUA, considerando-se, como tais, aquela em que houve mais do que 4 vítimas. Uma companhia de mapas digitais inglesa desenvolveu um mapa interativo dos EUA mostrando tais crimes, que aparecem como um círculo amarelo, cujo diâmetro varia conforme o número de vítimas (foto) - e nem chegaram a incluir o Alaska, o segundo estado de maior índice de criminalidade da federação. Enquanto isso, o xerife lá da cidade do Oregon, Roseburg, palco da chacina na escola apressou-se a declarar que "o controle de armas não impedirá crimes como os massacres em escolas". Parece que nem as polícias os impedem, não é, Sr Xerife, embora sejam pagas (e muito bem armadas) para isso. O assassino de Roseburg tinha nada menos do que 13 armas compradas legalmente.
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