terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mais um assassino inocentado

Como era de se esperar, o Grande Júri reunido em Ferguson, Missouri, EUA, para examinar o caso em que o policial Darren Wilson baleou e matou Michael Brown, um jovem negro desarmado, de 19 anos, decidiu que não era caso de julgar Wilson por homicídio ou por qualquer outro crime. E como era de se esperar, mal a sentença foi anunciada eclodiu um tumulto, em que prédios e carros foram incendiados em meio a um nevoeiro de gás lacrimogênio usado pela polícia. E ainda como, infelizmente, era de se esperar, o presidente Obama fez um apelo para que a decisão fosse respeitada, pois os EUA são um país onde se respeita a lei. Bem, se os negros da década de 1960 respeitassem tanto assim a lei, o Sr. Obama provavelmente estaria lavando pratos numa espelunca de Chicago.

A decisão do Júri baseou-se no fato de que Michael Brown atacou violentamente o policial Wilson, golpeando-o na face. A extensão dos graves ferimentos pode ser vista na foto pericial tirada logo após o incidente. Se você não vê ferimento algum, é porque você não é perito. A vermelhidão da face decorre da abrasão de um golpe, afirmou o legista. O fato de Wilson ser ruivo e apresentar a mesma coloração em todo o resto de seu corpo não vem ao caso, claro. Seria uma piada. Assim como o pessoal do Tea Party fez piada na Internet com um erro de ortografia na camiseta usada em homenagem ao jovem morto, por manifestantes da semana passada. Afinal, o direito de atirar em jovens negros desarmados já foi primeira e bravamente conquistado na Flórida, estado que talvez forneça o próximo presidente americano, Jeb Bush, a crer nas pesquisas. Não haverá problemas, desde que os negros continuem respeitando a lei. Detalhes aqui e aqui.


domingo, 9 de novembro de 2014

Derrubemos todos os muros

Esta semana, jornais de todo mundo falam dos 25 anos da queda do Muro de Berlim. Um outro muro, tão execrável quanto o alemão, os jornais "esquecem": o Muro de Israel, que isola os palestinos de suas terras, expulsos que foram de lugares que suas famílias habitaram por mais de mil anos, por europeus chegados no meio do século passado, imbuídos do típico espírito colonial europeu: os sionistas.

Em desafio a todas as leis internacionais, Israel continua massacrando e expulsando os palestinos, para ocupar seus lares históricos, pois sabe contar com cumplicidade dos Estados Unidos. Aproveitando a data comemorativa da queda da barreira alemã, um grupo de palestinos abriu um rombo no muro. Por enquanto é apenas um rombo simbólico, mas é uma afirmação de seu compromisso de resistência.

Que este e todos os muros semelhantes sejam derrubados - eis um compromisso para toda a humanidade.

Protegendo as crianças britânicas


O Sr. Matthews Richards, pai e avô, viajou vários quilômetros para ver uma exposição de falcoaria no Puxton Park, em Weston-super Mare, Inglaterra. Lá chegando, foi impedido de entrar no parque, pois estava sozinho e, assim, poderia ser um pedófilo. Richards já visitara o parque antes, para ver uma exposição semelhante, mas fora acompanhado de familiares, então não ficou sabendo que há uns sete anos a entrada no parque de pessoas desacompanhadas é vedada por lei local. Porque podem ser pedófilos, claro, no democrático raciocínio das britânicas autoridades. Provavelmente um pedófilo de verdade, levando pela mão uma garotinha ou garotinho, entraria sem problemas.

A paranoia sobre o assunto não se limita a tal cidade. Philip Pullmann, autor da trilogia infanto-juvenil A Bússola de Ouro, já devidamente transformada por Hollywood em rendosos sucessos, recusa-se a dar palestras em escolas de seu país, pois não aceita e exigência legal de que apresente uma comprovação da polícia de que não é pedófilo.

Escândalos de pedofilia sempre ocorreram na Inglaterra, sendo o maior de todos conhecido como o Círculo Pedófilo de Westminster - uma referência ao governo inglês, não à catedral, pois o Parlamento e outros importantes órgãos localizam-se, oficialmente, na cidade de Westminster, na prática um pedaço bem central de Londres. E o governo em questão é o de Margareth Tatcher, que teve importantes figuras, incluindo ministros e membros do Parlamento, envolvidos num círculo de abusadores sexuais de crianças.

Até hoje manobras, como ocultação de documentos e nomeação de "investigadores" comprometidos, têm impedido a apuração dos crimes. A última, ocorrida no meio deste ano, foi a nomeação de uma ex-juíza da Suprema Corte, Theresa May, também conhecida como Baronesa Butler-Sloss, para elucidar a tramoia. Excelente escolha, não fosse o fato de ser ela irmã de um dos principais envolvidos. Assim o escândalo ora é lembrado, ora esquecido, enquanto a apuração é empurrada com a barriga - uma barriga tão vasta quanto a de Henrique VIII. Talvez o pessoal de Puxton Park não exagere. Veja.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ainda bem que a polícia inglesa é séria

Crianças de 4 a 5 anos foram atingidas por spray de pimenta, quando a polícia fazia para elas uma demonstração do uso desse controvertido artefato. Isto ocorreu numa escola de Ysgol Gymraeg Gilfach Fargoed (com este nome, claro, só pode ser no País de Gales). Depois que as crianças se recuperaram dos efeitos da exposição ao gás, a polícia se desculpou, dizendo que pretendia usar uma lata contendo apenas água, mas por engano usaram uma lata de verdade.
Uma pergunta: por que a polícia precisa fazer demonstrações do uso de spray de pimenta para crianças de 4 a 5 anos? Terá sido uma brilhante ideia da comandante Cressida Dick, recentemente promovida, a eficiente policial que comandou o assassinato de Jean Charles de Menezes? Veja.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ainda bem que as prisões italianas são seguras

Semana passada, a Justiça italiana negou a extradição de Henrique Pizzolato, alegando que as prisões brasileiras apresentam condições cruéis e desumanas. No que diz respeito à maioria de nossas cadeias, ela tem razão.

O escândalo do momento em Roma foi a absolvição pela mesma Justiça italiana de 11 envolvidos na morte de Stefano Cucchi (foto acima), que morreu quando estava detido na Prisão Regina Coeli, em Roma, no que parece ser apenas um de uma série de abusos cometidos pela polícia local. O jovem Stefano, um homem franzino de 31 anos, foi levado da prisão ao hospital com severa desidratação, duas vértebras fraturadas e rompimento de vários órgãos internos. Morreu em uma semana. Durante o tempo em que ele esteve hospitalizado, não permitiram que qualquer membro da família o visitasse - só o viram depois de morto.

Embora os sinais de tortura fossem evidentes, a polícia alegou que ele acidentalmente caiu da escada, na prisão. A Anistia Internacional assumiu os protestos da família, que perdeu a causa na Justiça, e deu publicidade à denúncia. Agora vários políticos estão pedindo que a investigação do caso seja retomada. Em janeiro de 2013, a Corte Europeia de Direitos Humanos multou a Itália em 100 mil euros pelas condições inumanas a que os prisioneiros italianos são submetidos. Se quiserem mais detalhes, vejam aqui.

Bem, pelo menos a Justiça italiana se preocupa com as prisões do Brasil

Largue este prato, AGORA!

Este simpático senhor de 90 anos de idade, Arnold Abbott, acaba de ser preso em Fort Lauderdale, Flórida, EUA. Será julgado, podendo receber uma pena de 60 dias de cadeia e uma multa de 500 dólares. Seu crime: deu comida aos necessitados.

Sim, nesta cidade do estado favorito dos brasileiros deslumbrados é crime dar comida a uma pessoa faminta que você encontre na rua. O Sr. Abbott contou que um policial o interpelou gritando: Largue este prato, agora! - como quem diz, largue esta arma. Com ele foram presos dois ministros de uma igreja local, que também cometiam o crime de praticar a caridade cristã.

Comentando a lei aprovada semana passada, um defensor da câmara local disse: "Tudo que desencorage dar comida aos necessitados é uma coisa positiva". Leis semelhantes foram aprovadas, ou estão sendo votadas, em Seattle, Los Angeles, Phoenix, Dallas e Philadelphia. Veja no Independent.