segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Cereal criminoso?

Manifestação de protesto em Soreditch, um bairro de Londres, invadiu um bar e deixou mensagens pichadas. Os donos do bar, que tem o nome metido a engraçado de Cereal Killer, não gostaram do fato, claro, e reclamaram de ser pequenos comerciantes injustamente envolvidos num problema social.

Os ingleses nunca foram bons de movimentos sociais, basta ver a faixa que os manifestantes carregavam (foto), mais parecida com capa de disco heavy metal, ou as tochas a la caça vampiros. Mas a class war do dístico está prestes a se tornar realidade. Soreditch é uma vizinhança pobre, 49 % das crianças de lá estão abaixo da linha da pobreza. Seus pais dependem das entidades que doam comida para alimentá-las. E no Cereal Killer Café uma tigela de cereal custa 5 libras (mais de 30 reais).

A passeata era contra a gentrificação do bairro, o golpe de especulação imobiliária que expulsa os pobres de suas casas, comprando-as barato dos proprietários, para, depois de uma maquiagem. revendê-las a pessoas de posses por preços absurdos. Para isto é preciso que - através de expedientes muito mais propagandísticos do que materiais - "gentrifiquem" o subúrbio pobre em bairro chique em "ascensão". Onde os pobres de lá vão morar é coisa que absolutamente não interessa. E um bar que vende uma tigela de cereal tão cara só existe um função de tal processo e faz parte do mesmo.

O economista grego Yanis Varoufakis, ex-ministro das finanças que se demitiu por não concordar com o último "acordo" econômico imposto à Grécia, advertiu em entrevista recente que a opção pela "austeridade" dos governos não é senão guerra de classes, visto que tira todos os benefícios sociais dos pobres para que os ricos não precisem pagar impostos. Ele tem razão, claro. E aos poucos os povos parecem entender a jogada, até mesmos os ingleses.

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