quinta-feira, 18 de junho de 2015

Terrorismo na Carolina do Sul

A figura acima, notadamente uma glória da raça ariana, é suspeita de assassinar friamente seis mulheres e três homens dentro de uma igreja em Charleston, Carolina do Sul. Sabemos que tal estado pode se orgulhar de ter recentemente ultrapassado o Alaska como o de maior índice de criminalidade nos EUA, empurrando um pouco para trás, na fila, a Flórida (de Jeb Bush) e Nevada (do CSI). Mas a matança não foi mais um incidente corriqueiro, como um acerto de contas entre quadrilhas ou o surto de algum louco varrido que possuiu um arsenal bélico particular (algo mais americano do que a torta de maçã). Foi terrorismo.

Nenhuma autoridade assim o chamou, pois não querem acentuar o óbvio: os ataques terroristas nos EUA são todos feitos por americanos, brancos, racistas e direitistas. Pois a igreja em questão era a Mother Emanuel, de longa e gloriosa história em prol da luta pelos direitos civis dos negros. E as nove pessoas assassinadas eram todas negras. E o suspeito é conhecido da polícia como um suprematista branco perigoso. Seu objetivo foi, claramente, provocar o terror através da morte de pessoas inocentes - se há outra definição melhor de terrorismo, eu não conheço.

As autoridades falam em crime de ódio, traduzindo, crime racista - racismo não é uma palavra empregada nos EUA. Terrorismo, só se os autores forem muçulmanos, como no Charlie Hebdo, ou as vítimas forem brancas, como na maratona de Boston, em que os autores eram xexenos acolhidos pela CIA, apesar da advertência do serviço secreto russo. O presidente Obama, que já está de cabelos brancos, alertou para o perigo que significa a facilidade com que se adquirem armas nos EUA, mas ainda não teve coragem para dizer a verdade: com o crescimento da direita neandertálica nos EUA, a vida de um negro não vale nem um centavo no "país da liberdade". Façamos votos de que a próxima vítima não seja o próprio presidente.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Andando para o lado errado

Segundo nosso velho conhecido FMI (Fundo Monetário Internacional), do qual, desde o governo Lula passamos a ser credores, em vez de devedores, o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu mais do que o dos países ricos nos últimos anos. Entre 2007 e 2014, o PIB do Brasil cresceu 22,63%, enquanto o dos EUA cresceu 8,15%, da Alemanha 4,99%, do Reino Unido 3,68%, da França 2,21 % e do Japão 0,64%. Pelo período estudado, vemos que a Dilma também tem culpa deste absurdo. Ainda bem que nossos jornalões e televisões não divulgam tais notícias, ou os brasileiros deslumbrados de Miami morreriam de vergonha. Onde já se viu crescer mais do que a matriz? Bem, eles podem descarregar sua raiva contra a China, cujo PIB cresceu 80,13% no período - coisa de ditadura comunista. O Brasil foi o terceiro na lista dos que mais cresceram. Entre nós e a China, com o PIB crescendo 59,52%, ficou a Índia - um país decididamente estranho.

Pena que tais estatísticas sejam divulgadas pelo FMI, não dá para dizer que é armação do PT. Mas para os nostálgicos dos tempos tucanos em que o FMI chegava em Brasília mandando e desmandando e nós nos ajoelhávamos de pires na mão, o conforto é a situação de nossos avoengos, que "cresceram" para baixo: Espanha -4,97% e Portugal -7,33%.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Regras são regras

No montanhoso estado do Colorado, EUA, as autoridades escolares demitiram Della Curry, supervisora da cantina de uma escola local. Sua falta foi pagar do próprio bolso a comida para alguns alunos que não preenchiam os requisitos para receber a refeição (ou meia refeição, eles são detalhistas) subsidiada pelo estado, mas que choravam por passar fome, visto não poderem pagar por ela. Regras são regras. As citadas autoridades devem ter pensado que Della estava dando um péssimo exemplo, alimentando crianças famintas sem a chancela da burocracia.

Alguns brasileiros (os deslumbrados de Miami) que afirmam ser o Bolsa Família uma forma de alimentar vagabundos (embora as instituições financeiras capitalistas internacionais, como a OCDE, discordem), devem aprovar o rigor das autoridades coloradas. Paciência, não se vira primeiro mundo da noite para o dia. Enquanto isso, o número de crianças famintas do Colorado aumenta. Mas alimentar os famintos não faz parte das crenças da América fundamentalmente cristã.

Enquanto isso, na Grã Bretanha, um estudo da Universidade de Oxford constata que milhares de crianças, a maioria legítimos cidadãos britânicos, estão em situação de "extrema pobreza e fome". Seus pais não encontram trabalho e a maior parte dos benefícios sociais foi extinta. Parece que o esplendor da Inglaterra vitoriana, tão bem retratado na ilustração acima, assim como na ilustração da postagem anterior, está voltando.