segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Mais um lorde não exatamente nobre

É questão interessante saber quando os ministros da Virgem de Ferro, Margareth Tatcher, achavam tempo para governar, tanto que se dedicavam àquilo que um documento oficial britânico chamou de "inclinações sexuais não naturais". Agora que mais um deles morreu, lorde Britton, novas vítimas de sua sanha por garotos pré-adolescentes recorrem às autoridades em busca de justiça pelo que sofreram. Além disso, como ministro do Home Office (que tem, entre outras, as atribuições de nosso ministério da Justiça), ele conseguia barrar todas as investigações que eram iniciadas pela polícia, fazendo a documentação sumir nos meandros burocráticos.

Mais tradicional em seus gostos eróticos, o príncipe Andrew, Duque de York, irmão de Charles, Duque da Cornualha, nunca falou tanto, tentando defender-se da acusação de ter participado de orgias com meninas menores de idade, promovidas por seu amigo dileto, o milionário estadunidense Jeffrey Epstein, o qual já foi preso mais de uma vez por façanhas maiores com meninas menores. Mais saliva ainda tem gasto o porta-voz da Realeza, para desmentir a predileção principesca por lolitas subsidiadas. Já não se fazem duques como antigamente, pelo menos na Inglaterra. Ministro, então, nem se fala!

domingo, 25 de janeiro de 2015

Uma loucura!

Qualquer leitor de romances policiais ingleses já ouviu falar do hospício de Broadmoor, de péssima fama, para onde vão os loucos criminosos. Apesar de ter desarticulado o NHS (o SUS da saúde britânica) com todos os cortes de verba que fez, o governo de David Cameron resolveu reformar amplamente o citado hospital. A verba destinada foi de 4 milhões de libras (cerca de 15 milhões e meio de reais) e nem os loucos conseguiram descobrir onde o dinheiro foi aplicado. Os planos eram soberbos; incluíam, por exemplo, um café ao estilo Costa Coffee (?), no valor de 80 mil libras (310 mil reais), que até agora não produziu um mísero cafezinho; um centro de apoio à comunidade, no valor de 1 milhão e meio de libras (quase 6 milhões de reais) que precisa de apoio para ser encontrada; e uma suíte de reclusão, no valor de 200 mil libras (770 mil reais), para os muito loucos - até eles precisam de estilo, claro. Mas louve-se o senso de tradição britânico: o hospício continua como sempre foi. E o escândalo estourou. Uma loucura, facilitada pelo fato de que David Cameron havia desregulamentado a aplicação das verbas da saúde e demitido os funcionários que faziam tal controle.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A contagem continua crescendo 2

Dois dias atrás, em Nodaway, Missouri, EUA,um menino de 5 anos matou com um tiro o irmão de 9 meses, com um revólver carregado que encontrou dentro de casa. O xerife local acha que o tiro foi acidental, mas não deu a investigação por terminada; não determinou ainda a quem pertence a arma, mas não pensa que seja um caso de responsabilizar o dono da mesma. Ou seja, cogita-se da responsabilidade do menino de 5 anos, não da responsabilidade do adulto que deixa uma arma carregada onde uma criança pode encontrá-la.

Já ontem, em Tarpon Springs, Flórida, EUA, Kaleb Ahles (foto), 2 anos, matou a si mesmo, ao encontrar uma arma carregada no porta-luvas do carro dos pais e acionar o gatilho. Bem, não há como responsabilizar o pobre menino morto. O xerife local declarou não considerar que a arma tenha sido guardada indevidamente [donde concluímos que uma arma carregada, destravada e facilmente encontrada por um bebê está, pelos critérios da Flórida, muito bem guardada]; e concluiu que tudo foi apenas "um daqueles casos em que tudo dá errado".

A contagem continua crescendo

Mais um negro desarmado foi morto a tiros por um policial nos EUA, desta vez em Nova Jersey. Não se pode dizer que foi um ato de racismo, pois o policial (Braheme Days) também é negro. Nem se pode dizer que o morto (Jerame Reid ) era um anjo de candura, era alguém com antecedentes penais. O que não diminui o absurdo do fato: um policial matou um suspeito desarmado, que saía de um carro com as mãos levantadas, como mostra claramente o vídeo do incidente. No clima de medo e terror tão eficientemente cultivado pelos meios de comunicação e pelos diversos níveis de governo nos EUA, não causa estranheza que os policiais de lá se julguem numa guerra santa do bem contra o mal (ou jihad, cruzada, como queiram). E que fiquem ainda mais nervosos durante um procedimento já em si nervoso e perigoso, como é a abordagem de suspeitos num país em que todo mundo possui um arsenal bélico particular. Os protestos já tomam as ruas de Bridgeton, NJ. O fato repercutirá na mídia até o próximo negro a ser morto pela polícia - ou seja, por muito pouco tempo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Aos amigos, tudo 2


Afirma o Dr. Chris Murphy, professor da Universidade de Salford que pesquisa o assunto no National Archives, em Kew (norte de Londres), que Margareth Tatcher foi oficialmente alertada sobre a rede de pedófilos muito bem instalada no alto escalão de seu governo. O documento dirigido à primeira-ministra fala das "inclinações sexuais não naturais" de ... [aqui os nomes foram censurados]. Apesar deste belo exemplo de eufemismo burocrático, a Virgem de Ferro não tomou qualquer providência - claro, os tarados de Dolphin Square eram a nata de seu governo. Como as investigações sobre o assunto vêm sendo empurradas com a barriga pelo governo atual, a organização White Flowers faz campanha em Westminster, com flores e fotos das vítimas das tais inclinações incomuns dos Tories.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Aos amigos, tudo

Enquanto todo o Ocidente disputa o emprego das mais veementes palavras de condenação aos dois sujeitos que atacaram o Charlie Hebdo e assassinaram jornalistas e policiais, jurando que a liberdade de opinião, de imprensa e, pelo visto, de ofensa sem restrições é sagrada, é a base da civilização, a Arábia Saudita condenou Raif Badawi (foto), blogueiro liberal, a 1.000 chibatadas (aplicadas a prestações, 50 por semana, durante 20 semanas) e a 10 anos de prisão. Seu crime? "Insultar o Islã" - o mesmo dos jornalistas franceses. Mas, sejamos justos, ele teve direito à uma apelação: a segunda instância aumentou a pena, que antes era de sete anos de prisão e apenas 600 chibatadas. E para que não restassem dúvidas, condenou seu advogado a 15 anos de prisão. Esta sexta-feira, tão agitada na França, foi tranquila na Arábia Saudita e a primeira rodada de flagelação transcorreu sem problemas. Não se ouviram protestos dos líderes ocidentais, pois, afinal, a Arábia Saudita pode ser uma ditadura fundamentalista, mas é uma ditadura amiga. Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA declarou-se "preocupado" e seguiu despreocupadamente com suas ocupações.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je suis Charlie

"Je suis Charlie" - é a frase de protesto que ecoa pelo mundo, depois do ataque contra o semanário francês Charlie Hebdo. Por mais duvidoso que seja o gosto do jornal - ele realmente é vulgar e faz insultos gratuitos - muito pior é a violência letal usada contra ele. A Europa, como se vê, não é tão civilizada quanto se proclama. Pois o que os assassinos fizeram em Paris em nada difere do que a França e outros países europeus fizeram, e continuam fazendo, nos países da África e da Ásia. Basta ver aquilo em que eles, com a regência ubíqua dos EUA, transformaram a Líbia. E o que ainda tentam fazer na Síria, bloqueados temporariamente pelo veto russo na ONU e, agora, pelo resultado apocalíptico da política estadunidense no Iraque: o Estado Islâmico. Todos somos contra o que houve no Charlie e lamentamos a morte dos jornalistas e dos policiais; mas todos deveríamos também lamentar, ou pelo menos tomar conhecimento, de todas as mortes de pessoas inocentes, homens, mulheres e crianças, assassinados diariamente pela ganância ocidental. E todos deveríamos nos preocupar com o mal disfarçado nazismo que floresce na Europa, onde a culpa da decadência econômica é atribuída aos imigrantes e não ao verdadeiro culpado: o neoliberalismo.

Ao contrário, políticos e celebridades parecem esmerar-se em dizer absurdos e botar mais lenha na fogueira. Nigel Farage, líder do UKIP, Partido da Independência (?) do Reino Unido, declarou que a culpa é do multiculturalismo da sociedade francesa. O milionário Donald Trump diz que a culpa é do fato de os franceses não possuírem armas. Lembrar que o Estado Islâmico, ou ISIS, ou Califado, ou que nome seja, nasceu da invasão e da ocupação do Iraque pelo EUA e seus pupilos é algo que não parece frequentar a memória desses luminares. E os ataques a islamistas que nada têm a ver com a loucura generalizada já começaram. Pelo visto o ataque promovido por Anders Breivik, branco, escandinavo, cristão, nacionalista, ultra-direitista, em Oslo e na ilha de Utoia, em que várias dezenas de jovens inocentes foram assassinados, também não persistiu na memória dos que adoram dar declarações. O povo norueguês não se entregou ao ódio destrutivo, esperamos que o povo francês faça o mesmo. Alguns esclarecimentos sobre o assunto podem ser lidos aqui. Para entender as raízes do problema, veja aqui.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cada país tem seu Bolsonaro

Philip Drury, vereador pelos Liberais-Democratas na cidade de East Hampshire, Inglaterra, teve a pouco original ideia de afirmar que Serena Bowes era feia demais para que alguém pensasse em estuprá-la. A jovem alega ter sido violentada na Itália e o caso ganhou as manchetes britânicas. O comentário do espirituoso edil também e a grita foi grande. Ele preferiu renunciar, alegando excesso de trabalho. O nosso Bolsonaro bem que podia seguir o exemplo...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Uma sociedade armada e doentia

Para o menino da foto, Tamir Rice, 12 anos, não haverá ano novo. Ele foi morto pela polícia de Cleveland, com dois tiros no abdômen, conta a BBC, pois estava apontando uma arma de brinquedo para os passantes num parque local. O garoto não teria atendido à ordem dos policiais para levantar as mãos. No entanto, o próprio chefe de polícia de Cleveland afirma que o menino não fez ameaças nem apontou a arma para os policiais.  Atirar na barriga de uma criança e depois tentar esclarecer as coisas parece ser um procedimento normal entre a polícia de lá. Considerando os vários casos de jovens negros mortos por policiais estadunidenses em 2014, os heroicos gendarmes de Ohio também ficarão impunes.

Já em Idaho, no condado de Kootenai, uma jovem cientista nuclear de 29 anos foi morta por um tiro, enquanto fazia compras no Walmart local. O autor do disparo foi seu filho de 2 anos, que pegou a arma que a mãe carregava na bolsa e acidentalmente acionou o gatilho. Fazer compras no Walmart deve ser extremamente perigoso, para que as mulheres tenham de ir armadas. A explicação é a de sempre: foi um "trágico acidente".

Outro "acidente" atingiu Echo, uma fêmea de lobo cinzento, a primeira a ser avistada no Grand Canyon, Arizona, em mais de 70 anos. A esperança de que a espécie finalmente estivesse retornando a um ambiente onde já fora abundante, assim como a loba Echo, morreram com uma bala disparada por um caçador de Utah. Foi um "erro de identificação", explicou o autor da façanha, pois a espécie é protegida por lei. O procedimento é semelhante ao da polícia: primeiro atira, depois identifica. Mas, como foi um animal e não um menino negro, acho que o sujeito será pelo menos multado.