domingo, 31 de maio de 2015

Nós não tomamos jeito

Segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), um clube de nações desenvolvidas, a desigualdade de renda continua a aumentar nos países ricos. Nelas, hoje, os 10% mais ricos ganham 9,6 vezes mais que os 10% mais pobres. Nos anos 1980, a proporção era 7 vezes mais. De acordo com o relatório da entidade, a desigualdade diminuiu na América Latina. No Brasil, o Coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, teve um recuo de 8%. O estudo destacou o êxito do Bolsa Família. (OCDE)

Pelos números e datas da OCDE, vemos que a culpa por esse desacordo com o que vai pelo Primeiro Mundo é do Lula e da Dilma. Enquanto a Inglaterra arrasa com os últimos vestígios do estado de bem-estar social e faz seu carnaval no Parlamento (com fantasias dignas do primeiro grupo), nós nos preocupamos com dar comida aos famintos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

EUA: você pode sempre contar com polícia

David Washington dirigia seu carro em Fredericksburg, Virgínia, EUA, quando sofreu um derrame cerebral. Tentou desviar o carro para o lado da rua, derrubando uma placa de sinalização mas conseguindo parar. A polícia, chamada por quem viu o incidente, chegou ao local e deparou-se com um homem caído sobre o volante, sem outros movimentos que alguns tremores num braço. Que fizeram, então, os três policiais que atenderam ao chamado?

Um deles, Shaun Jurgens, atira em David com seu taser, através da janela do motorista, mas erra o alvo. Um outro, Matt Deschenes, abre a porta do lado direito e descarrega seu spray de pimenta no rosto de David. Os dois arrancam David do carro, jogam-no ao chão e o algemam, enquanto o pobre homem avisa que não consegue respirar. Toda a ação foi filmada pelas câmeras da própria polícia. Só quando a imprensa, alertada por testemunhas, avisou à polícia que David tivera um derrame foi que o levaram ao hospital onde, felizmente, ele se recuperou. Um detalhe: David Washington é um homem negro.

O policial Shaun Jurgens alegou que agiu corretamente, de acordo com as regras: a situação apresentava perigo para uma escola próxima, alegou. Como, ele não esclareceu. Já o departamento de polícia de Fredericksburg declarou que o uso da força pelos policiais, no caso, não estava de acordo nem com a política nem com o treinamento da polícia. Ainda bem. Parece que eles não quiseram segurar o problema, pois Jurgens pediu demissão. Pelo menos desta vez o negro envolvido saiu com vida. Veja aqui.


domingo, 24 de maio de 2015

Nada de novo nos EUA

Durante uma perseguição a um carro em Cleveland, Ohio (EUA), os policiais atiraram 137 balas no veículo, transformando-o, literalmente, numa peneira (veja foto). Dentro dele, havia um casal de pessoas negras, desarmadas. Quando o carro parou, o bravo policial acima, Michael Brelo, no melhor estilo Rambo, pulou sobre o capô e disparou mais 15 tiros nos ocupantes, através do para-brisas. Ao todo, ele disparou 34 tiros contra o veículo.

Os dois negros morreram, claro. Diante da grita que se ergueu contra tal procedimento, Brelo foi julgado por "homicídio involuntário" e (que novidade!) absolvido de qualquer acusação. Deixando de lado a curiosa interpretação de que disparar 34 tiros contra duas pessoas seja um homicídio involuntário, a absolvição do gendarme provocou o que se esperava: centena de pessoas foram às ruas protestar contra a cinematográfica matança e dezenas foram presas. (Veja aqui.)

Seis meses atrás a mesma Cleveland (mas não sua polícia ou sua justiça) ficara chocada quando outro bravo policial matou um menino de 12 anos (Tamir Rice) que brincava em um parque com uma faca de plástico. Tamir, claro, era negro, então o policial não viu necessidade de esclarecer os fatos antes de atirar contra ele e matá-lo. As demais autoridades concordaram.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Turismo de Primeiro Mundo: Thomas COOK

Ah, nada como a tradição de bons serviços da Agência Thomas Cook de viagens, com seus 170 anos de operação na Inglaterra. Quem já não a viu citada em romances ingleses do século passado? As duas crianças da foto, Christi (7 anos) e Bob (6 anos) Shepherd também foram seus clientes. Digo foram porque, quando em 2006 visitaram com os pais a ilha grega de Corfu, num pacote organizado e vendido pela Cook, elas morreram intoxicadas por monóxido de carbono, devido a um vazamento em um aquecedor cuja tubulação se ligava a seu quarto. Os pais, quando foram acordá-las, desmaiaram e só voltaram a si no hospital. O que fez a renomada agência Cook? Não deu qualquer apoio aos desolado pais na época e, agora, num inquérito judicial realizado na Grã Bretanha, seu representante declarou: "é uma história muito triste, mas não vejo razão para pedir desculpas, nada fizemos de errado".

Bem, agora sabemos: organizar e vender como seguros pacotes turísticos que incluem hotéis cuja manutenção deficiente resulta em morte da clientela não é considerado errado pela Cook. Então, se o mesmo acontecer com você, não espere que ela peça desculpas e que lhe dê qualquer indenização, nem mesmo um desconto no próximo pacote letal... isto se, depois de quase uma década, você conseguir que a agência se manifeste num tribunal, pois antes disso ela não tomou conhecimento dos pais das crianças mortas. O júri inglês, seguindo o relatório do coroner (um misto de magistrado e legista que investiga mortes violentas) declarou que a morte das crianças foi criminosa. Mas nada foi imposto à agência como reparação.

Na Grécia, a Justiça local condenou os responsáveis pelo hotel. A Grécia, realmente, não leva jeito de Primeiro Mundo... Veja a notícia aqui.

Nota acrescentada duas semanas depois: diante da reação popular despertada pelo fato, os chefões da Cook voltaram atrás e pediram desculpas. As duas crianças, claro, não puderam ouvi-las.