segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Cereal criminoso?

Manifestação de protesto em Soreditch, um bairro de Londres, invadiu um bar e deixou mensagens pichadas. Os donos do bar, que tem o nome metido a engraçado de Cereal Killer, não gostaram do fato, claro, e reclamaram de ser pequenos comerciantes injustamente envolvidos num problema social.

Os ingleses nunca foram bons de movimentos sociais, basta ver a faixa que os manifestantes carregavam (foto), mais parecida com capa de disco heavy metal, ou as tochas a la caça vampiros. Mas a class war do dístico está prestes a se tornar realidade. Soreditch é uma vizinhança pobre, 49 % das crianças de lá estão abaixo da linha da pobreza. Seus pais dependem das entidades que doam comida para alimentá-las. E no Cereal Killer Café uma tigela de cereal custa 5 libras (mais de 30 reais).

A passeata era contra a gentrificação do bairro, o golpe de especulação imobiliária que expulsa os pobres de suas casas, comprando-as barato dos proprietários, para, depois de uma maquiagem. revendê-las a pessoas de posses por preços absurdos. Para isto é preciso que - através de expedientes muito mais propagandísticos do que materiais - "gentrifiquem" o subúrbio pobre em bairro chique em "ascensão". Onde os pobres de lá vão morar é coisa que absolutamente não interessa. E um bar que vende uma tigela de cereal tão cara só existe um função de tal processo e faz parte do mesmo.

O economista grego Yanis Varoufakis, ex-ministro das finanças que se demitiu por não concordar com o último "acordo" econômico imposto à Grécia, advertiu em entrevista recente que a opção pela "austeridade" dos governos não é senão guerra de classes, visto que tira todos os benefícios sociais dos pobres para que os ricos não precisem pagar impostos. Ele tem razão, claro. E aos poucos os povos parecem entender a jogada, até mesmos os ingleses.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Um papa terceiro mundo

Como se não bastasse ficar do lado dos pobres, dos oprimidos, dos refugiados, como se não bastasse trazer de volta a igreja para o povo, esse papa oriundo de um país do terceiro mundo agora diz absurdos sobre o céu e a terra. Quanto ao céu, ele diz que um ateu pode chegar lá, desde que siga sua consciência, visto que "a clemência de Deus é infinita". Quanto à terra, diz que as teorias da evolução e do Big Bang são corretas e em nada conflitam com a existência de Deus.

Ora, todos os cristãos fundamentalistas dos Estados Unidos (assim como suas "igrejas" similares no citado terceiro mundo) já provaram que o criacionismo é a única e absoluta verdade e que, óbvio, os ateus vão para o inferno, assim como os homossexuais, as mulheres escandalosas, os fornicadores, as feministas, os cantores de funk, os bêbados, os eleitores do Obama (no Brasil, os eleitores do Lula), os budistas, os hinduístas, os macumbeiros, os muçulmanos e, claro, todos os católicos.

Cresce a confusão automotiva

"Os carros brasileiros são umas carroças" - apregoava um certo caçador de marajás. Como duvidar de homem tão lúcido? Ao mesmo tempo, sabemos por nossa diligente mídia (escrita, falada e televisada) que os carros do Primeiro Mundo são obras de arte ambulantes. Por que será que estão fazendo tanto barulho lá fora a respeito deles?

Primeiro foi a Volkswagen, cuja "eletrônica embarcada" levou os clientes a embarcarem na mutreta da baixa emissão de poluentes. Agora, nos Estados Unidos, vem à tona a notícia de que a indústria de lá escamoteou os resultados de testes que mostraram que os carros americanos são bem menos seguros do que os europeus. Ora, num país onde a maioria das pessoas se recusa a usar cinto de segurança ("coisa de comunista"), não creio que dessem muita bola para isso. Os testes foram feitos como preparação para o tratado de livre comércio entre os EUA e a União Europeia, então as fábricas estadunidenses não quiseram arriscar. Já na Europa, a revista alemã Auto Bild acusa a BMW de fazer a mesma coisa que a Volkswagen. Pelo menos os nossos carros são honestamente desonestos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Israel assassina estudante palestina

Um soldado israelense assassinou ontem uma estudante universitária palestina, Hadeek al-Hashlamon (18 anos). Os israelenses alegaram que a jovem atacou o soldado com uma faca, mas uma foto tirada segundos antes do tiro mostra que ela estava desarmada e separada do assassino por uma balaustrada de madeira.

O incidente ocorreu num posto de controle na parte oeste de Jerusalém, ilegalmente ocupada por Israel, e de onde o governo judeu quer expulsar todos os palestinos. Cerceados por muros de isolamento, submetidos à humilhação de ter de passar por "postos de controle" para entrar ou sair de sua própria terra, os palestinos também se arriscam ao descontrole dos soldados. Com resultados fatais.

Os conflitos entre judeus e palestinos crescem assustadoramente em Jerusalém. O governo de Bibi Netanyahu aposta no caos e sabe que tem os EUA por detrás, garantindo sua arbitrariedade. Enquanto isso, a Hungria parece ter adotado métodos semelhantes para tratar do problema dos refugiados (foto).  Até o fotógrafo está de capacete, para que não sobre para ele.



terça-feira, 22 de setembro de 2015

A evidente superioridade da indústria alemã

O sonho de todos os nossos deslumbrados, sejam ricos ou apenas metidos a, é ter um CARRO ALEMÃO! Nada pode ser mais perfeito, mais avançado, mais honesto... Bem, quanto ao último predicado, parece que não é bem assim.

Nossa mídia nativa está tão ocupada em malhar a Dilma e tentar destruir o Lula que não deu muita importância à notícia que está nas manchetes dos mais importantes jornais do mundo: a enorme mutreta tecnológica da Volkswagen, que estourou nos Estados Unidos. A empresa dotou os carros de um programa de computador que identifica se o veículo está sendo submetido a um teste de poluição ou andando normalmente. No caso de um teste, a regulagem vira santa e produz níveis baixos de poluição. Caso o carro esteja andando normalmente, a regulagem volta a ser como é e a poluição corre solta.

Desta forma, a Volkswagen vendeu centenas de milhares de carros nos EUA em desacordo com as normas da EPA, a agência de proteção ambiental de lá. Provavelmente no resto do mundo também, mas foi nos EUA que o escândalo veio à tona. Já se fala em multa de bilhões de dólares. As ações da empresa desabaram nas bolsas de valores. Seu presidente, depois de um contrito pedido de desculpas (merecedor de um Óscar), avisou que fará uma severíssima investigação e não sobrará pedra sobre pedra.

Certo, afinal a Alemanha é Primeiríssimo Mundo. Mas o jornal inglês Independent lembra que não é a primeira vez que a Volkswagen é surpreendida mentindo. Em agosto, pesquisadores universitários  alemães descobriram que um sistema de segurança contra furtos fabricado pela empresa e usado por ela e mais 26 outras (incluindo Porsche, Ferrari, Maserati, Audi e outras menos idolatradas) era falho e facilmente desarmado pelos ladrões. Que fez a fábrica? Entrou na Justiça, proibindo a publicação da pesquisa. Foi preciso chegar à Corte Suprema para que a publicação saísse.

E eu que gostava tanto do meu velho Fusquinha - um carrinho honesto que nunca fingiu ser o que não era. Mas não param por aí as desventuras da conceituada empresa alemã. Aqui no Brasil, informa a revista Carta Capital, a Comissão Nacional da Verdade e diversos sindicatos apresentarão ao Ministério Público Federal uma denúncia de violação dos direitos humanos, praticada pela empresa em sua fábrica de São Bernardo do Campo, durante a ditadura militar. Parece que por lá prevaleciam as ideias do sujeito que encomendou o primeiro Volkswagen, um austríaco chamado Adolfo. Eu, claro, não acredito.

Enquanto isso, nos Estados Unidos...


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"Mais Médicos" ingleses?

Os médicos brasileiros, que se acham bons demais para trabalharem em cidadezinhas do interior (apesar dos salários mais do que compensadores), levaram nosso governo a aceitar médicos cubanos para preencher as vagas desprezadas do programa Mais Médicos. Nossa direita hidrófoba inundou as redes sociais da internet com as costumeiras tolices.

Agora, que o governo conservador de David Cameron está desmontando o NHS (National Health System) inglês, são os médicos britânicos que desejam aventurar-se em terras alheias. Na semana passada, em apenas três dias, mais de 1600 médicos ingleses requereram licença para trabalhar no exterior. Quem vai tratar da saúde dos ingleses pobres? Não aborreçam David Cameron com tal problema, no momento ele está preocupado com os porcos.

Quem sabe se alguns desses médicos vierem para o nosso Mais Médicos os nostálgicos da Casa Grande, os deslumbrados com Miami, os imbecis do Facebook terão frêmitos de prazer - afinal, são médicos do Primeiro Mundo. Sem emprego... mas do Primeiro Mundo.

O mauricinho e o porquinho

David Cameron, o mauricinho gorduchinho que governa o Reino Unido, às vezes lembra um porquinho rosado. Mas ninguém imaginaria que a compatibilidade fosse tão grande.

Uma das bandeiras do governo conservador é um projeto hipócrita de dificultar ao máximo o acesso a pornografia na Internet. Conhecendo os excessos sexuais ocorridos durante os governos conservadores de Edward Heath e Margareth Tatcher (o famoso Círculo Pedófilo de Westminster), a pudicícia do rubicundo Dave surpreendia. Agora sabemos a razão: ele é contra a pornografia porque prefere tudo ao vivo e a cores.

Lord Ashcroft, um conservador aposentado, está lançando uma biografia não-autorizada de Cameron (Call me Dave). Segundo ele, nos tempos de aluno de Oxford e quando jovem parlamentar, o moralista Dave usava drogas, excedia-se nos excessos sexuais e fazia parte da Piers Gaveston Society, uma confraria de estudantes dedicados a atividades, digamos, bizarras (Piers Gaveston foi o favorito e amante de Eduardo II, rei inglês do século 14).  Segundo Ashcroft, Cameron teria tido relações sexuais com um porco, numa cerimônia de iniciação.

Parece que seria melhor impedir o acesso à História inglesa, diante dela a pornografia é coisa de criança. Enquanto isso, na Hungria, foi aprovada uma lei  autorizando o uso de armas "não-letais" contra os refugiados (foto abaixo). Quem sabe se eles levarem um porquinho junto o Dave deixa eles entrarem na Inglaterra?



terça-feira, 15 de setembro de 2015

A coisa certa a ser feita

Mais uma vez o Brasil anda no sentido contrário do Primeiro Mundo. Enquanto a Europa começa a se armar com rifles, arame farpado e cães furiosos para enfrentar as levas de refugiados que fogem dos horrores da guerra, um navio da Marinha do Brasil, a corveta Barroso, faz o contrário. A caminho do Líbano, onde assumirá o comando de operações da ONU, o navio desviou de sua rota para salvar 220 refugiados - entre eles inúmeras crianças (foto) - que estavam à deriva no mar Mediterrâneo, numa embarcação prestes a afundar.

Assim não é possível - vão reclamar os brasileiros idiotas que todo dia destilam ódio nas redes sociais, clamando por uma nova ditadura militar, pena de morte, entrega de nossas riquezas aos EUA e outras cositas más - depois de comprarem passagem para mais um passeio a Miami e reclamarem do dólar alto.

 Os brasileiros normais sentem um justificado orgulho.

À esquerda, a imagem que chocou o mundo semana passada: uma criança síria, morta, chega a uma praia da Turquia, depois de um acidente no barco em que sua família fugia da guerra. À direita, duas crianças sírias, também fugidas da guerra, encontram abrigo, ainda que provisório e inseguro, no Líbano. A diferença entre deixar morrer e dar socorro. Escolha uma das duas situações, mas tenha a coragem de assinar embaixo, com seu nome verdadeiro.

Se a verdade é insustentável, minta

Uma foto de refugiados do Oriente Médio atacando policiais europeus e brandindo bandeiras do Estado Islâmico, amplamente divulgada na Internet por esses dias e tomada como exemplo por várias instituições de direita como a prova de que as ondas de refugiados são um ardil para infiltrar a Europa com terroristas, é uma mentira muito bem manipulada.

A foto e é de 2012, mostra um tumulto que ocorreu em Bonn, Alemanha, quando uma passeata de neonazistas encontrou-se com um contra protesto de imigrantes muçulmanos e a polícia interveio. As bandeiras não podem ser do Estado Islâmico, que não existia então. Pergunta-se: os direitistas que fizeram tanto barulho com a foto vão reconhecer o erro? Esperemos sentados. De preferência ouvindo Beethoven, a melhor coisa que a cidade de Bonn já produziu.

A política dos bombardeios de drones dos Estados Unidos, de matar qualquer número de civis inocentes para talvez, algum dia, eliminar algum desavisado terrorista, parece ter sido adotada pelas forças armadas da ditadura egípcia - não fossem elas financiadas pelos EUA. O exército egípcio, domingo passado, matou 12 turistas e feriu outros mais, confundindo-os com terroristas do Estado Islâmico. Entre as vítimas estão pelo menos dois mexicanos - confundiram sombrero com turbante. Nem a maldição dos faraós matou tanto.

Dejà vu

Os ingleses inventaram o campo de concentração (durante a Guerra dos Boers), a engenharia alemã lhe conferiu estado de arte durante o nazismo e Israel construiu o maior de todos os tempos, em Gaza. Muralhas para deixar os indesejáveis de fora parece que sempre existiram, seja a grandona lá na China, a de Adriano na Inglaterra, o Muro de Berlim ou o muro com que Israel quer impedir que os palestinos voltem à Palestina. Hoje as duas "instituições" aparecem num assustador dejà vu por toda a Europa e os indesejáveis são os que fogem das guerras que os EUA, Israel e a Europa engendraram. Na foto, a fronteira da Hungria com a Sérvia, já devidamente cercada, aramada, vigiada.

Num outro dejà vu menos dramático, o deputado conservador inglês Alec Shelbrooke dorme serenamente nas cadeiras da Câmara dos Comuns. "Mentira!", alegou ele, "eu sou meio surdo, estava me concentrando para ouvir melhor o debate". Tá. Ao menos podemos nos ufanar de que as cadeiras de nossa Câmara são bem mais confortáveis para um cochilo, além de individuais.


domingo, 13 de setembro de 2015

Alemanha fecha portas e janelas

A Alemanha, de Angela Merkel, durante a semana passado posou de boazinha, dizendo que receberia quantos refugiados fossem necessários. No fim de semana, mudou subitamente de ideia e fechou as fronteiras com a Áustria, posicionou tropas de choque ao longo da mesma e suspendeu a aplicação do tratado de Schengen, que garante a livre circulação na União Europeia.

Afinal, o que esses refugiados estão querendo? Viver uma boa vida em um país rico? Talvez o menino sírio da foto, ferido e atendido em um hospital improvisado em meio às batalhas, pudesse responder. Resta saber se Madame Merkel ia ouvir. Afinal, foram os EUA, a Inglaterra, a Alemanha e outros países europeus que começaram a confusão toda, invadindo e destruindo o Iraque e criando a situação que levou ao surgimento do Estado Islâmico. Mas quem disse que os culpados são os que pagam?

Preto com BMW? Conta outra...

Kamilah Brock (foto) foi presa pela polícia de Nova York quando estava parada em um sinal vermelho, dentro de seu BMW, no Harlem. Levada para o distrito foi detida e, depois de várias horas, foi liberada. Perguntando pelo carro, disseram-lhe que voltasse no dia seguinte para pegá-lo.

Voltando à polícia, disseram-lhe que eles não acreditavam que o carro fosse dela. Como Kamilah insistiu, ela foi algemada e levada de ambulância para a ala psiquiátrica de um hospital no Harlem, onde lhe injetaram lítio e sedativos. Ela ficou retida no hospital por oito dias, contra sua vontade, e quando foi liberada ainda recebeu uma conta de 13 mil dólares.

A polícia de Nova York pensa que está certa: preto que acha que tem um BMW só pode ser louco. O problema é que Kamilah é realmente a proprietária do carro e não tem qualquer histórico de problemas mentais. O caso foi parar na justiça. Uma polícia do primeiro mundo não pode estar errada... pode?

A polícia de St. Louis, Missouri

No mês passado, a população de Fergunson, St. Louis, Missouri, composta principalmente de pessoas negras, saiu às ruas num protesto pacífico pela morte, um ano atrás, do jovem Michael Brown, 18 anos, que, estando desarmado, foi morto a tiros pela polícia. Seu assassino não foi sequer julgado. Durante o protesto, a polícia de St. Louis fez de tudo para constranger as pessoas, com detenções, fotografias de identificação, uso de algemas (foto abaixo).
Além dos pacíficos participantes, desfilaram em meio deles, acintosamente armados até os dentes, membros de uma organização paramilitar de direita chamada The Oath Keepers, todos eles, claro, brancos e anglo-saxões. A polícia de St. Louis fez que não viu os belicosos rambos que intimidavam e provocavam as pessoas (foto abaixo). A polícia não fez absolutamente nada contra eles.
No meio do protesto, saiu um tiroteio. Quem será que começou? Os que protestavam desarmados ou os gorilas da milícia branca? Para a polícia foram os negros, claro, e mais um jovem negro de 18 anos, Tyrone Harris Jr., desarmado, foi atingido por tiros disparados por policiais à paisana (foto abaixo). Depois de ficar sangrando no chão, algemado, o rapaz foi levado em estado grave para o hospital, onde até agora está sendo mantido vivo.
A polícia jura que ele estava armado; os demais participantes juram que não. Sabemos que nada acontecerá aos policiais que atiraram. Não sabemos se o rapaz vai sobreviver. Vem mais protesto por aí, Mr. Obama.



sábado, 12 de setembro de 2015

Os desígnios de Deus são inescrutáveis

Mais de 100 pessoas morreram e mais de 200 outras ficaram feridas no desabamento de um guindaste sobre o complexo da Grande Mesquita de Meca, destino de peregrinação dos muçulmanos. A tragédia poderia ter sido pior, caso já se houvesse iniciado o Hadj, período em que a peregrinação é mais sagrada.

Muitos muçulmanos pelo mundo não viram com bons olhos o projeto da Arábia Saudita de ampliar o já imenso complexo da Grande Mesquita, onde fica a Caaba, achando que era uma descaracterização de um lugar sagrado, pertencente a todos os que professam a fé do Islã. Mas a monarquia absoluta da Arábia Saudita não dá ouvidos a ninguém, acredita-se dona do Islã, faz o que bem entende e aos que discordam resta a decapitação em praça pública.

Curiosamente, as obras de ampliação, que transformaram o lugar sagrado num paliteiro de guindastes, estão sendo efetuadas pelo Grupo Binladin. Sim, o grupo da família do falecido Bin Laden, família esta que detém um status de amiga dileta dos EUA. Quando do 11 de setembro, a primeira providência de Bush filho foi tratar da evacuação segura de todos os membros da família que estivessem nos EUA. A culpa? Bem, a culpa sempre poderia ser jogada na conta do Saddam Hussein, embora ele não tivesse absolutamente nada a ver com o atentado em Nova York - fato até hoje detentor do prêmio de História Mais Mal Contada do Mundo.


Nota acrescentada em 24/09 - O que era mais do que previsível infelizmente aconteceu. Num tumulto durante o Hadj, mais de 700 pessoas morreram. Não foi a primeira vez que isto ocorreu, nem será a última. As religiões, como tudo mais, precisam evoluir. Uma regra estabelecida quando o Islã era um grupo de tribos da Arábia não funciona agora que ele é uma religião mundial.Mas a Arábia Saudita não há de querer perder essa boca.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Direitos humanos para inglês ver

A Europa enfrenta hoje uma crise como não se via desde a II Guerra Mundial: um fluxo maciço de refugiados, fugidos dos conflitos no Oriente Médio e do norte da África. O mauricinho David Cameron, que treme diante da perspectiva de ver gente escura e feia entrar na Inglaterra que ele faz tudo para que volte a pertencer apenas aos ricos e de boa aparência, já não sabe mais o que diz. É uma gafe atrás da outra.

Quem provocou os conflitos que agora, fora de qualquer controle, espantam os migrantes? Claro, os EUA, secundados por seu 51º estado, a Inglaterra, e os demais países europeus que foram atrás do que seu mestre mandou. Bush filho, Obama, Blair, Cameron, Sarkozi e outros menos famosos invadiram o Iraque, destruíram a Líbia, garantiram as insanidades de Israel, Arábia Saudita, Egito. Agora, que a bagunça está chegando na Europa, não sabem o que fazer.

Mas quem armou esse pessoal que agora dedica-se à matança no mesmo Iraque, na Síria, na Líbia? Em grande parte foi a Inglaterra (claro que o dinheiro veio da Arábia Saudita e dos principados árabes recheados de petróleo). A indústria de armas tem razões que a própria Razão desconhece (que me perdoe o velho Camões!). Neste momento, o governo inglês convida diversos países líderes no desrespeito aos direitos humanos para sua feira de fabricantes de armas, com privilégios VIP. A lista inclui: Arábia Saudita, Azerbaijão, Bahrein, Egito, Cazakistão, Paquistão, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, todos eles citados quase diariamente por todas as instituições que denunciam as violações dos direitos humanos.

Quanto dessas armas irão parar nas mãos do Estado Islâmico, dos "moderados" fanáticos sunitas que operam na Síria, das facções que se entrematam na Líbia? A julgar pela história recente, uma grande parte delas. Então, preparem-se para mais refugiados. Enquanto os europeus se desesperam, os EUA, discretamente, sorriem.

domingo, 6 de setembro de 2015

O bom governo canino

A cadela acima chama-se Reina, é chilena e, talvez por causa do nome, tenta prover aquilo que os sucessivos governos de direita, desde a ditadura sanguinária de Pinochet, tiraram do povo. Pois no Chile, o exemplo favoritos das tele-economistas e dos analistas engomadinhos da nossa mídia colonizada, quando se trata de falar das virtudes do neo-liberalismo, a miséria grassa, muito bem escondida pelos meios de comunicação, deles, nossos e do mundo. O número de crianças famintas é assustador. Mas a cadela Reina foi surpreendida levando comida para uma criança abandonada, em meio a um ferro velho de Arica, cidade portuária ao norte de Santiago. O fato promoveu escândalo, mas certamente não comoveu os ricos de lá: segundo a OCDE, o Chile é o país da América do Sul em que a desigualdade social mais cresceu nos últimos tempos.As globonews da vida não falam disso, claro...

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O freguês tem sempre razão

Na Suíça, o país favorito de de 11 entre 10 dirigentes corruptos da FIFA ou sonegadores de impostos clientes do HSBC, os fregueses pagantes têm sempre razão. Quando uma criança começou a chorar dentro de um avião da Swissair prestes a decolar do aeroporto de Zurique, os comissários pediram perdão aos demais passageiros e retiraram criança e família da aeronave. Tratava-se de um menino autista, de 8 anos. Mas eles tiveram sorte, eram uma família israelense. Se fossem Sírios, provavelmente teriam sido alijados durante o voo, e o inspirado primeiro-ministro inglês teria falado em "chuva nefasta", para continuar o sucesso do "enxame daninho" (os refugiados que buscam a Inglaterra, segundo ele). É uma pena que nossas companhias aéreas não sejam tão eficientes.

Depois vem a tatuagem

A polícia da República Tcheca está retirando migrantes de trens com destino à Alemanha e marcando-os com tinta permanente nos braços e pulsos. Qualquer semelhança com a prática nazista de tatuar os destinados aos campos de concentração não é mera coincidência. Tais migrantes também vão para campos de concentração, não importa que nome deem às instalações onde são isolados, destino dos indesejáveis de sempre. O governo tcheco já convocou uma reunião de emergência com os países vizinhos para examinar o problema. Entre ele está a Hungria, que no momento dedica-se a construir uma cerca de arame farpado nos 170 km de sua fronteira com a Sérvia, para manter os indesejáveis do lado de fora.

Na Inglaterra, o bem nutrido Cameron também convocou reuniões de emergência, com Alemanha e França. E declarou em alto e bom som que o Reino Unido não pode mais receber migrantes, que chegam como "um enxame de insetos". Que outras humanitárias metáforas surgirão da mente do bondoso primeiro-ministro, quando ele vir a foto publicada hoje pelo The Independent, de um corpo de criança dando à praia na Turquia: cardume, infestação? O pequeno cadáver é de um refugiado (e não migrante, como ainda insistem em dizer) sírio, vítima de um naufrágio durante a fuga do horror da guerra. Guerra esta que as potências ocidentais fazem tudo para incentivar.

Como contribuição para a paz (?) na Síria, os Estados Unidos começaram um programa "secreto" de bombardeios com drones (foto), para atingir infiltrados do Estado Islâmico. Claro, para cada "infiltrado" que eles atingem, morrem centenas de civis inocentes. Não admira que os sírios prefiram enfrentar a incerteza de uma fuga pelo mar a permanecer em seu país. Ao mesmo tempo, os EUA fazem um tratado de cooperação com a Turquia, que no momento se dedica exclusivamente a bombardear os curdos, os únicos que até agora lutaram bravamente, em terra, contra os militantes do Estado Islâmico que invadem a Síria. Claro, os EUA não querem desagradar seus poderosos aliados, Turquia e Arábia saudita, os principais instigadores e fornecedores de armas da luta na Síria. Os sírios que aguentem.

Desonestidade arcaica

Nesses tempos em que escândalos de corrupção e desonestidade eclodem pelo mundo todo, é fácil esquecer que a ética jamais esteve nos genes humanos, tem de ser aprendida. O seu oposto, entretanto, parece ter sido praticado desde os tempos mais remotos.

Num túmulo da época da dominação romana, em Cirencester, Inglaterra, foi desenterrada uma lápide com a inscrição latina: I M D BODICACIA CONIUNX VIXIT ANNOS XXVII (em memória de dona Bodicácia, esposa, que viveu 27 anos). Exumado também o corpo, verificou-se que não podia ser da devotada esposa Bodicácia, visto que era o corpo de um homem, de umas centenas de anos posteriores.

Um bárbaro e analfabeto anglo-saxão (como todos os demais anglo-saxões) viu aquela pedra rabiscada dando sopa e resolveu usá-la em seu próprio túmulo. O acaso preservou a prova do furto. Como castigo, o machão passou à posteridade com o delicado nome de Bodicácia.