quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O bispo e o príncipe

Peter Ball, da igreja anglicana, ex-bispo de Lewes e Gloucester, admitiu culpa num processo por abuso sexual de dois rapazes de 17 anos. Quem pensa estar diante de um exemplo de justiça sendo aplicada a despeito da importância do réu, está enganado. Ball abusou de pelo menos 16 meninos, entre 1977 e 1992. Em 1993, quando o primeiro caso estourou, várias pessoas importantes intervieram para que fosse abafado, inclusive membros do parlamento e o ecológico príncipe Charles.

O bispo renunciou ao cargo e recebeu apenas uma advertência da justiça. Charles lhe forneceu moradia em uma residência do Ducado da Cornualha (Charles, muito apropriadamente, é duque da Cornualha). Com o tempo, novas denúncias foram feitas e ficou difícil segurar o problema, principalmente porque uma das vítimas, Neil Todd, se matou. Com o atual processo, o bispo se livra de responder por abusos cometidos contra dois meninos, de 13 e 15 anos, uma ofensa bem mais grave, e não será submetido a julgamento público, apenas receberá uma pena (os abusos contra os dois menores e outros 12 meninos, simplesmente, somem legalmente da história). Tudo é apenas mais uma armação. Que pena será cominada ao ardoroso bispo: conversar com Charles uma vez por semana?

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