sábado, 3 de outubro de 2015

Americanos bombardeiam Médicos sem Fronteiras

Logo após o primeiro ataque aéreo da Rússia contra alvos terroristas na Síria, os EUA reclamaram que foram atingidos "civis inocentes", que se revelaram, mais tarde, serem um grupo sunita extremista armado pela Arábia Saudita e treinado pela CIA. Já no Afeganistão, em Kunduz, não há dúvidas sobre os civis inocentes que foram bombardeados, ontem, pelos americanos: um hospital de campanha dos Médicos sem Fronteiras, entidade sabidamente apolítica e inofensiva. No ataque morreram pelo menos 16 pessoas, entre as quais 9 membros da organização e 3 pacientes crianças, e mais 37 ficaram feridas. Como não foi possível abafar o caso, os EUA já "pediram desculpas". Os 16 mortos não puderam recebê-las.

Nota acrescentada uma semana depois: Agora que os fatos chegam mais detalhados ao conhecimento do mundo, ficou claro que o bombardeio não foi um engano. Não foi um caso de uma bomba soltada por engano em meio a uma operação confusa. O hospital foi bombardeado sistematicamente durante uma hora, por aviões AC-130, que voam a baixa altitude e são dirigidos por humanos. Ou seja, os pilotos e os que deram as ordens sabiam muito bem o que estavam fazendo, inclusive porque o hospital fornecia periodicamente sua localização (em coordenadas de latitude-longitude, que não mudavam) aos americanos, exatamente para evitar qualquer engano. A causa da chacina, ao que parece, foi o hospital atender, sem discriminações, qualquer ferido que chegasse lá, mesmo aos talibãs. Ou seja, fazia aquilo que todo médico jura fazer quando profere o Juramento de Hipócrates. Mas para Washington, as leis internacionais que garantem atendimento médico a todos, em caso de guerra, não valem mais.

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