Ah, nada como a tradição de bons serviços da Agência Thomas Cook de viagens, com seus 170 anos de operação na Inglaterra. Quem já não a viu citada em romances ingleses do século passado? As duas crianças da foto, Christi (7 anos) e Bob (6 anos) Shepherd também foram seus clientes. Digo foram porque, quando em 2006 visitaram com os pais a ilha grega de Corfu, num pacote organizado e vendido pela Cook, elas morreram intoxicadas por monóxido de carbono, devido a um vazamento em um aquecedor cuja tubulação se ligava a seu quarto. Os pais, quando foram acordá-las, desmaiaram e só voltaram a si no hospital. O que fez a renomada agência Cook? Não deu qualquer apoio aos desolado pais na época e, agora, num inquérito judicial realizado na Grã Bretanha, seu representante declarou: "é uma história muito triste, mas não vejo razão para pedir desculpas, nada fizemos de errado".
Bem, agora sabemos: organizar e vender como seguros pacotes turísticos que incluem hotéis cuja manutenção deficiente resulta em morte da clientela não é considerado errado pela Cook. Então, se o mesmo acontecer com você, não espere que ela peça desculpas e que lhe dê qualquer indenização, nem mesmo um desconto no próximo pacote letal... isto se, depois de quase uma década, você conseguir que a agência se manifeste num tribunal, pois antes disso ela não tomou conhecimento dos pais das crianças mortas. O júri inglês, seguindo o relatório do coroner (um misto de magistrado e legista que investiga mortes violentas) declarou que a morte das crianças foi criminosa. Mas nada foi imposto à agência como reparação.
Na Grécia, a Justiça local condenou os responsáveis pelo hotel. A Grécia, realmente, não leva jeito de Primeiro Mundo... Veja a notícia aqui.
Nota acrescentada duas semanas depois: diante da reação popular despertada pelo fato, os chefões da Cook voltaram atrás e pediram desculpas. As duas crianças, claro, não puderam ouvi-las.

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