Quem se dá ao trabalho de estudar a história dos EUA na primeira metade do século XX vê que a maior parte das ideias atribuídas aos nazistas nasceram lá. A existência de uma raça ariana superior e a necessidade de suprimir as raças inferiores são apenas duas delas, devidamente exportadas para Alemanha com o prestimoso patrocínio da Fundação Rockefeller e do Instituto Carnegie, dando no que deu.
Uma das evidências disso foi o estudo realizado em Tuskegee, Alabama, pelo governo americano, em que cidadãos pobres e ignorantes (e, por acaso, todos negros) foram secretamente inoculados com sífilis e deixados sem tratamento, para que se estudasse o desenvolvimento da doença. Começou em 1932 (portanto, antes de Hitler subir ao poder e ficar conhecido do mundo) e terminou em 1972 (mais de duas décadas depois da derrota dos nazistas e da revelação de suas hediondas práticas semelhantes). O caso se arrastou, desde a denúncia até um contrito pedido de desculpas formalizado pelo presidente Clinton - e não se fala mais nisso.
Outro escândalo semelhante vem a público, depois de anos de acobertamento. Trata-se de um experimento em tudo semelhante ao de Tuskegee, só que realizado na Guatemala, pelos mesmos americanos. Afinal, grandes potências não se podem dar ao luxo de reconhecer detalhes como fronteiras e povos. Centenas de guatemaltecos foram infectados com doenças sexualmente transmissíveis, sem saberem e sem receberem tratamento, nas décadas de 1940-1950, numa pesquisa apoiada e organizada pela Fundação Rockefeller (ora, quem diria?) e a Universidade John Hopkins.
O governo americano já reconheceu a culpa e Obama, a exemplo de seu colega Clinton, já apresentou um pedido de desculpas - mas nenhuma indenização, sob o argumento de que o governo dos EUA não pode ser responsabilizado por um fato ocorrido em outro país (e, lembrem-se, os EUA não reconhecem a Corte Internacional de Justiça). Os prejudicados partiram então para o processo contra as duas veneráveis instituições, a Rockefeller e a John Hopkins, que afirmaram não terem qualquer responsabilidade no caso. Afinal, o que são algumas centenas de homens, mulheres e crianças guatemaltecas, de duvidosa matriz racial, diante do Progresso da Ciência? Como diria o Dr. Mengele: nada!

Nenhum comentário:
Postar um comentário