Para o menino da foto, Tamir Rice, 12 anos, não haverá ano novo. Ele foi morto pela polícia de Cleveland, com dois tiros no abdômen, conta a BBC, pois estava apontando uma arma de brinquedo para os passantes num parque local. O garoto não teria atendido à ordem dos policiais para levantar as mãos. No entanto, o próprio chefe de polícia de Cleveland afirma que o menino não fez ameaças nem apontou a arma para os policiais. Atirar na barriga de uma criança e depois tentar esclarecer as coisas parece ser um procedimento normal entre a polícia de lá. Considerando os vários casos de jovens negros mortos por policiais estadunidenses em 2014, os heroicos gendarmes de Ohio também ficarão impunes.
Já em Idaho, no condado de Kootenai, uma jovem cientista nuclear de 29 anos foi morta por um tiro, enquanto fazia compras no Walmart local. O autor do disparo foi seu filho de 2 anos, que pegou a arma que a mãe carregava na bolsa e acidentalmente acionou o gatilho. Fazer compras no Walmart deve ser extremamente perigoso, para que as mulheres tenham de ir armadas. A explicação é a de sempre: foi um "trágico acidente".
Outro "acidente" atingiu Echo, uma fêmea de lobo cinzento, a primeira a ser avistada no Grand Canyon, Arizona, em mais de 70 anos. A esperança de que a espécie finalmente estivesse retornando a um ambiente onde já fora abundante, assim como a loba Echo, morreram com uma bala disparada por um caçador de Utah. Foi um "erro de identificação", explicou o autor da façanha, pois a espécie é protegida por lei. O procedimento é semelhante ao da polícia: primeiro atira, depois identifica. Mas, como foi um animal e não um menino negro, acho que o sujeito será pelo menos multado.

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