"Je suis Charlie" - é a frase de protesto que ecoa pelo mundo, depois do ataque contra o semanário francês Charlie Hebdo. Por mais duvidoso que seja o gosto do jornal - ele realmente é vulgar e faz insultos gratuitos - muito pior é a violência letal usada contra ele. A Europa, como se vê, não é tão civilizada quanto se proclama. Pois o que os assassinos fizeram em Paris em nada difere do que a França e outros países europeus fizeram, e continuam fazendo, nos países da África e da Ásia. Basta ver aquilo em que eles, com a regência ubíqua dos EUA, transformaram a Líbia. E o que ainda tentam fazer na Síria, bloqueados temporariamente pelo veto russo na ONU e, agora, pelo resultado apocalíptico da política estadunidense no Iraque: o Estado Islâmico. Todos somos contra o que houve no Charlie e lamentamos a morte dos jornalistas e dos policiais; mas todos deveríamos também lamentar, ou pelo menos tomar conhecimento, de todas as mortes de pessoas inocentes, homens, mulheres e crianças, assassinados diariamente pela ganância ocidental. E todos deveríamos nos preocupar com o mal disfarçado nazismo que floresce na Europa, onde a culpa da decadência econômica é atribuída aos imigrantes e não ao verdadeiro culpado: o neoliberalismo.
Ao contrário, políticos e celebridades parecem esmerar-se em dizer absurdos e botar mais lenha na fogueira. Nigel Farage, líder do UKIP, Partido da Independência (?) do Reino Unido, declarou que a culpa é do multiculturalismo da sociedade francesa. O milionário Donald Trump diz que a culpa é do fato de os franceses não possuírem armas. Lembrar que o Estado Islâmico, ou ISIS, ou Califado, ou que nome seja, nasceu da invasão e da ocupação do Iraque pelo EUA e seus pupilos é algo que não parece frequentar a memória desses luminares. E os ataques a islamistas que nada têm a ver com a loucura generalizada já começaram. Pelo visto o ataque promovido por Anders Breivik, branco, escandinavo, cristão, nacionalista, ultra-direitista, em Oslo e na ilha de Utoia, em que várias dezenas de jovens inocentes foram assassinados, também não persistiu na memória dos que adoram dar declarações. O povo norueguês não se entregou ao ódio destrutivo, esperamos que o povo francês faça o mesmo. Alguns esclarecimentos sobre o assunto podem ser lidos aqui. Para entender as raízes do problema, veja aqui.

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