domingo, 9 de agosto de 2015

Mostrando que não é racista

A polícia de Charleston, Carolina do Sul (EUA), após todos os problemas que decorreram do assassinato de várias pessoas negras por um suprematista branco, dentro de uma igreja, parece ter decidido mostrar que não é racista: mandou bala e matou um jovem branco de 19 anos (foto), Zachary Hammond, que estava desarmado e namorando em seu carro, no estacionamento.

Inicialmente a polícia de Charleston não quis divulgar o nome do bravo policial, autor da façanha. Forçada judicialmente, acabou por revelar, acrescentando que o officer agiu em legítima defesa, pois o jovem tentou jogar o carro contra ele. Claro que o fato de o rapaz ter sido atingido nas costas nos faz pensar: se o carro estava se afastando, por que o policial precisou matar o motorista para se defender de ser atropelado? Bem, isso é problema deles, eles que são brancos (literalmente) que se entendam.

Com a namorada do rapaz (que foi presa) apreenderam 10 gramas de maconha. A Carolina do Sul, recentemente, assumiu o primeiro lugar em criminalidade entre os estados dos EUA. A polícia de Charleston não consegue impedir que nove pessoas sejam mortas enquanto rezam numa igreja. Mas consegue impedir que um jovem e tolo casal fume um baseado enquanto namora. Zachary Hammond nunca mais fumará maconha, o policial Tiller (que não foi preso) garantiu isso. Nada como uma polícia de primeiro mundo.

Nas mídias sociais, o assunto do momento é: por que a morte do jovem branco não despertou tanto protesto quanto as recentes mortes de jovens negros, em situações mais ou menos semelhantes? Parece que esse pessoal não sabe contar... Este ano, um homem negro desarmado foi morto por um policial estadunidense a cada 9 dias. Esta semana mesmo, a polícia de Arlington, Texas, matou Christian Taylor, 19 anos, negro, desarmado, universitário, numa situação de "suspeita de assalto".

Ah, a admirável polícia do Texas! Se numa situação de "suspeita" de crime ela atira primeiro e esclarece depois, o que não fará num crime de verdade?

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