Desde 2005, a Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos (US
Customs and Border Protection), atuando junto à fronteira mexicana, já matou
pelo menos 42 pessoas. Sendo um órgão federal vinculado ao Department of
Homeland Security, desde os mal contados episódios do 11 de setembro seus
agentes são praticamente intocáveis, não importa o grau de violência gratuita
que empreguem em sua ação.
Os mortos são mexicanos que cometeram o terrível crime de
tentarem entrar nos EUA sem a devida documentação. Anastazio Rojas, por exemplo, já vivera
25 anos trabalhando na Califórnia e já tinha cinco filhos nascidos nos EUA. Ao
tentar cruzar a fronteira em San Ysidro (cidade próxima a San Diego), foi
detido, sem oferecer resistência. Apesar disso, uma dúzia dos rambos da Border
Patrol algemaram suas mãos a seus pés e, jogando-o no asfalto em frente ao
posto de guarda, por meia hora se dedicaram a chutar e bater em seu corpo, além
de baixarem suas calças e lhe aplicar diversos choques com uma arma taser.
Levado ao hospital com vários ossos quebrados, Anastazio
morreu três dias depois por causa das injúrias. A cena macabra foi filmada por
várias testemunhas, com seus celulares. O médico legista de San Diego classificou a morte como
homicídio, mas a procuradoria federal recusou-se a abrir um processo, dizendo
que a ação da patrulha fora uma “resposta apropriada”. Os vídeos das
testemunhas desmentiram a alegação de que Anastazio apresentara uma resistência
hostil à prisão. As câmeras da própria patrulha estavam “desligadas” na
ocasião. Nenhuma providência legal foi tomada.
José Rodriguez, de 16 anos, foi morto a tiros do lado
mexicano da fronteira, por membros da Border Patrol, que atiraram a partir do
lado americano. O relatório oficial do incidente afirma que o menino estava
jogando pedras contra a patrulha. Ele foi atingido por 10 tiros; nenhuma pedra
atingiu os valorosos vigilantes. Como Rodriguez, outros 9 mexicanos foram
mortos por “atirarem pedras”. Qualquer semelhança com os meninos palestinos
assassinados pelos soldados israelenses pelo mesmo crime de jogar pedras não é
mera coincidência.
O jornalismo especializado estadunidense afirma que estes
não são casos isolados. Os patrulheiros não recebem treinamento adequado e sua
extrema violência apenas aumenta com a absoluta impunidade de que dispõem, na
esteira da histeria patrioteira que vem desde os desmandos de Bush filho.
Dezesseis congressistas reclamaram com a Secretary of Homeland Security, mas
nenhuma providência foi tomada. O presidente Obama também não toma conhecimento
do problema. Lembra a velha frase: “Pobre México, tão longe de Deus e tão
próximo dos Estados Unidos”.
Quem quiser saber mais, pode ler o jornal inglês The Independent; os vídeos do massacre de Anastazio Rojas estão no Youtube.

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